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Brasília - O ministro da Fazenda,
Guido Mantega, disse hoje (13), que "o pior da inflação
já passou". Segundo ele, a alta no preço das
commodities, os bens primários com cotação
no mercado internacional, está sendo revertida, o que pode
fazer o país fechar 2008 com a inflação dentro
das margens da meta. O teto estipulado pela equipe econômica é
de 6,5%.
"Chegamos ao cume
da montanha, daqui para frente, a tendência é que os
índices sejam cada vez menores", disse. O ministro citou
a queda nos preços do petróleo, cujo barril caiu de
mais de US$ 140 para US$ 115, nas últimas semanas.
Ele também
lembrou que alimentos que pressionaram a inflação no
começo do ano - como trigo, milho e arroz - também
estão com os preços em queda. Segundo o ministro, as
adaptações feitas pelo Brasil para enfrentar a inflação
estão dando certo, dentre elas a destinação de
0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) ao
Fundo Soberano do Brasil, para conter a demanda econômica.
Para o ministro, os
últimos índices mostram que o Brasil está tendo
uma das menores inflações do mundo. "Dos países
que adotam a meta de inflação, o Brasil é o
único que está dentro das margens. Todos os outros já
extravasaram [a meta]", afirmou.
Mantega, porém,
ressaltou que o governo precisa tomar cuidado com a dose das medidas
para não comprometer o crescimento econômico. "É
necessário desaquecer a economia, mas com cuidado para manter
o crescimento sustentável", advertiu.
O ministro fez os
comentários sobre inflação depois de reunir-se
com 29 empresários do Fórum Nacional da Indústria,
na Confederação Nacional da Indústria (CNI). No
encontro, ele abordou a conjuntura econômica e tirou dúvidas
sobre a criação do fundo soberano.
Na avaliação
do presidente da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), Armando Monteiro Neto, a reunião permitiu ao setor
entender melhor como o fundo funcionará. "A discussão
sugere que esse excedente poderia ser aplicado fora do país,
mas, na realidade, a idéia [da equipe econômica]
é exatamente reforçar
a necessidade de poupar para fortalecer a âncora fiscal
[contenção de gastos públicos]",
explicou.
Monteiro Neto
aproveitou o encontro para elogiar o esforço fiscal do governo
em 2008. "Como a CNI valoriza muito a estabilização
da economia pela âncora fiscal, quero registrar que os dados
trazidos pelo ministro foram positivos. O Brasil quase teve superávit
nominal. As metas de superávit primário foram até
ampliadas e o comportamento de algumas despesas de custeio também
foi positivo", destacou.
De janeiro a junho, o
setor público, formado pela União, estados, municípios
e empresas estatais, registrou déficit nominal de R$ 1,9
bilhão, o que equivale a 0,14% do PIB. No mesmo período
do ano passado, esse resultado havia sido de R$ 7,2 bilhões,
0,59% do PIB. O déficit nominal é o rombo nas contas do
setor público, após o pagamento dos juros da dívida
pública.
*A matéria foi alterada para acréscimo de informações
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