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Brasília - O
projeto de lei de crimes cibernéticos, que tramita na Câmara
dos Deputados, não quer coibir o uso da internet nem monitorar o usuário, mas tipificar os crimes que são cometidos no mundo virtual. Essa é a avaliação do deputado Júlio
Semeghini (PSDB-SP), integrante da
Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação
e Informática da Câmara. Segundo ele, a proposta vista proteger as pessoas que utilizam a internet de
forma "bem-intencionada".
"Estamos trabalhando para criar uma
grande rede de internet dentro do Brasil, com maior número de acesso de
pessoas carentes e proteger as pessoas bem-intencionadas que usam a
internet e estão sendo vítimas de grandes ataques no dia-a-dia", disse o deputado em entrevista à Rádio
Nacional.
Ele exemplificou que se alguém tentar invadir uma casa, a
pessoa poderá chamar a polícia, mas se alguém
tentar invadir um computador ou um site, o prejudicado não
poderá recorrer à polícia. “Há
necessidade de se colocar exatamente a vida do mundo virtual dentro
do dia-a-dia da vida real”, disse Semeghini.
“No
Brasil, a gente só pode penalizar, multar, prender uma pessoa
quando acontece um prejuízo a alguém que já é
crime na vida real. Quando se percebe que pessoas estão
tentando invadir um site que é protegido ou tentando roubar
parte de uma senha de acesso você não consegue dizer que
isso é crime”, argumentou o parlamentar, acrescentando que as pessoas não precisarão temer as mudanças, "pois elas só vão atingir quem pratica crimes na internet".
Além
de tipificar os crimes virtuais, o projeto também prevê aumento de penas para alguns delitos quando forem cometidos por meio
da internet. É o caso da pedofilia e da difamação.
“O prejuízo causado por esses crimes é
exponencialmente maior quando feito pela internet”, pontuou
Semeghini.
Um
ponto polêmico da proposta é o que obriga os provedores a manter em seus bancos de dados os registros de acesso
dos usuários. Segundo Semeghini, isso facilitaria a
identificação de pessoas que praticam crimes virtuais.
“Quando se comete um crime é importante que a gente consiga
descobrir quem cometeu esse crime e, com essas informações,
poderemos saber em qual computador foi praticado um determinado
crime”.
O parlamentar argumentou que, apesar da redação final do projeto já estar pronta, a comissão acatou o pedido de entidades da sociedade civil e empresas do setor para realização de audiência pública. Segundo ele, a idéia é debater profundamente todos os pontos polêmicos e se aproximar ao máximo do consenso.
Semeghini afirmou que o projeto de lei também
prevê que as universidades públicas sejam obrigadas a
compartilhar pesquisas de maneira organizada na internet o que irá facilitar o acesso a esses conteúdos e a busca por parte dos usuários.
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