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Brasília - A Comissão de Constituição e Justiça
do Senado deve votar nesta quarta-feira (20) um projeto de lei que aumenta para até doze
anos de prisão a pena para motoristas responsáveis por
acidentes de trânsito que resultem em mortes, nas hipóteses em que estejam embriagados ou participando de rachas.
O projeto de lei do Senado nº 613, de 2007, de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), altera o Código de Trânsito Brasileiro, que tipifica como culposo (quando não há intenção de matar) mortes provocadas no trânsito e prevê penas de um a três anos de prisão, para considerar esse tipo de morte como crime doloso (quando há intenção de matar), com penas que vão de quatro a doze anos de prisão.
O projeto prevê, ainda, o imediato comunicado de morte no trânsito a um juiz, para que ele determine a cassação da carteira de motorista e a prisão do culpado. Se aprovado na CCJ do Senado, onde tramita em caráter terminativo, o projeto segue para deliberação da Câmara dos Deputados.
O
presidente do Instituto de Segurança no Trânsito, José
Augusto Ferreira de Camargo, concorda com os objetivos do projeto de lei. Segundo ele, somente se forem aumentadas
as penas para motoristas, que provocam acidentes com mortes, isso poderá
reduzir o número de mortes no trânsito. Para ele, as campanhas educativas são
necessárias, mas não têm o resultado esperado no curto
prazo.
“Nós,
que fazemos as campanhas educativas e projetos [de educação
no trânsito], vemos que elas [as campanhas] não estão sendo
suficientes a curto prazo. Creio que uma lei mais rigorosa vai
reduzir bastante o risco de acidentes graves e mortes, principalmente
[ocasionados] por motoristas embriagados”, afirmou Camargo,
em entrevista à Rádio Nacional. Camargo acredita
que os bons resultados da Lei Seca, vão servir de exemplo para
os senadores.
“Só
de o motorista ter consciência de que a punição
será mais severa, ele terá mais cuidado, como já está
ocorrendo desde a aplicação da Lei Seca”, argumentou
Camargo. Dados do Ministério da Justiça indicam que o
número de acidentes e de mortes causadas pelo trânsito caiu entre 30% e 40%, com o início da Lei Seca, em vigor desde meados de junho.
O
presidente do Instituto de Segurança no Trânsito
acredita que o país terá um trânsito mais seguro
quando os motoristas mudarem velhos hábitos, como beber e
depois dirigir. “Essa
mudança de hábito também passa pelo uso do cinto de
segurança, da cadeira para as crianças e as empresas
colocarem air bag em todos os carros”, exemplificou. “São
equipamentos de segurança que precisam ser bem utilizados”, concluiu Camargo.
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