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15 de Agosto de 2008 - 07h37 - Última modificação em 15 de Agosto de 2008 - 07h37


Educação no Morro do Alemão está em situação de emergência, mostra relatório

Mariana Jungmann
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - A associação entre violência armada e exclusão social profunda levou a educação à situação de emergência no complexo de favelas do Morro do Alemão, no Rio. Essa é a conclusão de um dos relatórios a ser entregue pela Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (Dhesca) a autoridades estaduais, federais e internacionais.

De acordo com a relatora Denise Carreira, entidades locais denunciam o constante fechamento de escolas e a diminuição do número de professores nas instituições educacionais do morro por causa dos conflitos constantes entre traficantes e policiais.

“Profissionais de educação, estudantes e familiares têm que conviver periodicamente com situações de tiroteio, confronto entre policias e grupos de traficantes, e com as imposições do narcotráfico e de milícias”. Segundo a relatora, há escolas onde certas disciplinas, como física e química, não são lecionadas há anos. Além disso, professores e educadores não sabem como lidar com as situações de violência.

“Em um tiroteio por exemplo, alguns professores pedem para as crianças se abaixarem. Outros mandam elas de volta para casa e suspendem as aulas”.

Um dos pontos principais do relatório destaca a falta de articulação entre as políticas de governo aplicadas na comunidade. “O governo municipal não conversa com o estadual, que não conversa com o federal e as diferentes áreas de governo também não se comunicam. Então, há uma predominância da segurança pública sem nenhuma preocupação com outras áreas como a educação”.

Segundo Denise Carreira, o relatório contém um conjunto de sugestões e foi bem recebido pelo governo estadual. O texto propõe, por exemplo, o levantamento de informações sobre as necessidades da comunidade, a maior presença dos operadores do direito, especialmente Ministério Público e Defensoria Pública, e políticas de estímulo a profissionais de educação.

Denise informou que também foi sugerido um protocolo (conjunto de informações) para situações de violência, que deve ser providenciado pela Secretaria de Segurança Pública.



 


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