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14 de Agosto de 2008 - 18h10 - Última modificação em 14 de Agosto de 2008 - 18h10


Secretário atribui sucesso do leilão de energia de reserva a esforço antigo do setor

Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil

 
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São Paulo - O secretário-executivo de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmerman, manifestou satisfação com o resultado do primeiro leilão de energia de reserva à base da biomassa, realizado hoje (14). Para ele, o sucesso do leilão indica que as medidas determinadas pelo governo para que a biomassa passe a ser uma matriz energética no país estão plantadas e começam a dar resultado.

Segundo Zimmerman, há anos, o setor elétrico tem interesse em usar a biomassa como fonte renovável de geração de energia. “Depois de todo o trabalho do ministério, da Casa Civil, da Agência Nacional de Energia Elétrica e da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, desde o ano passado, chegamos a um bom termo hoje", disse ele, em entrevista pouco depois do encerramento do leilão.

O sucesso do leilão e o interesse dos competidores indicam que as medidas adotadas para que a biomassa passe a ser uma matriz energética no país estão plantados e começam a dar resultado, afirmou Zimmerman. "Tivemos oferta de lotes a um valor final de R$ 52,79 e, no início, R$ 60. Isso mostra a expectativa positiva e a confiança dos empreendedores em função dessa nova sistemática que está se implantando com os leilões de reserva."

O presidente da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, Antônio Carlos Fraga Machado, ressaltou que os dois produtos negociados durante o leilão – suprimentos de energia com início de fornecimento previsto para 2009 e 2010 – totalizaram R$ 10,723 bilhões. Só para o suprimento de 2009, o volume negociado foi de R$ 694 milhões. Para o de 2010, foram R$ 10,028 bilhões. O preço médio por megawatt/hora para 2009 foi de R$ 60,86 e, para 2010, de R$ 58,71. Em todo o leilão, esse valor ficou em R$ 58,84.

Ainda de acordo com Machado, a potência no sistema em 2009 será de 229,3 MW e, em 2010, de 2.149,90 MW, totalizando 2.379,40 MW. "O leilão transcorreu sem problemas técnicos, não houve nenhuma liminar e foi realizado dentro do tempo aprazado", acrescentou.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, considerou o leilão de hoje extremamente importante, porque o país está contratando energia para além da necessidade dos distribuidores e consumidores livres. "Considerando que os consumidores têm energia para atender 100% de suas necessidades, essa energia da biomassa é energia além daquela necessária para atender a demanda deles. É energia a mais no sistema. A importância é que se aumenta a segurança e a robustez do sistema."

Para Tolmasquim, outro fator importante é que havia uma reivindicação dos agentes quanto ao preço do mercado spot [negócios realizados com pagamento à vista e pronta entrega da mercadoria] e a energia da biomassa derruba esse preço, que é considerado alto, de maneira estrutural. O preço do mercado spot é formado pelo custo variável da última usina colocada em operação.

"Imagine que existe uma pilha de usinas termoelétricas e, na base, coloca-se a bioeletricidade, que tem custo variável zero. Então, a probabilidade de termos que pôr em operação uma térmica a óleo diminui. Ou seja, serão menos usadas as térmicas mais caras e mais as térmicas mais baratas. Então é um ótimo negócio para o consumidor e para os agentes."



 


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