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Brasília - O
deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ) disse hoje (14) que houve
desvio de finalidade na ação do Exército no
Morro da Providência, no Rio, e sugeriu, em relatório
que apresentou à Comissão de Segurança Pública
e Combate ao Crime Organizado da Câmara, que seja mudada a
legislação que trata do uso das Forças Armadas
em grandes cidades em época de paz. Segundo ele, o Exército estava exercendo funções típicas de polícia na segurança de obras no morro.
Biscaia
foi relator da comissão externa que foi ao Rio de Janeiro
investigar a ação de um grupo de onze militares do
Exército, que atuava na segurança das obras do projeto
Cimento Social, no Morro da Providência, que entregou três
jovens moradores a uma facção rival do Morro da Mineira. Os jovens
foram encontrados mortos no dia seguinte.
O
relatório de Biscaia não precisará ser votado,
mas será encaminhado diretamente às autoridades
competentes. Como parte do relatório se refere às obras
do projeto Cimento Social, feitas a partir de emenda parlamentar do senador
Marcelo Crivella (PRB-RJ), destinando R$ 12 milhões do
Ministério das Cidades, o relatório será também
encaminhado ao Senado, para investigar o possível uso
eleitoral da obra, uma vez que Crivella é candidato à
prefeitura do Rio. Biscaia sugeriu que a Justiça Eleitoral
examinasse essa possibilidade de uso eleitoral da obra.
Nesse
sentido, Biscaia criticou o uso político das emendas
parlamentares propostas ao orçamento da União, para
evitar desvio das emendas: “É preciso que não haja
mais um verdadeiro 'balcão de negócios', que envolva
interesses econômicos de particulares e interesses de
propaganda eleitoral na definição das emendas”, disse
Biscaia, no seu relatório. Biscaia propôs o fim das
emendas parlamentares.
Ao
final do relatório, Biscaia pediu que sejam garantidas
imediatamente as indenizações às famílias
dos três jovens mortos: “A União precisa honrar o
compromisso do ministro [da Defesa, Nelson]
Jobim de adiantar
as indenizações, mesmo que as famílias tenham
pedido esse reparo na Justiça”, disse, em seu relatório,
o deputado Antonio Carlos Biscaia.
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