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Brasília - Famoso por ter
decretado, em 1998, a prisão do ditador chileno Augusto
Pinochet, o juiz espanhol Baltasar Garzón, participará amanhã (18) e na terça-feira de uma série de
encontros com autoridades brasileiras e representantes da sociedade
civil em São Paulo e em Brasília. Garzon chega ao
Brasil em um momento de efervescência das discussões
sobre a abertura dos arquivos e punição dos
torturadores dos anos de ditadura militar e revisão da Lei de
Anistia.
Há duas semanas,
o ministro da Justiça, Tarso Genro, irritou os militares ao
defender, em um seminário, a punição rigorosa
para a tortura, que, em sua opinião, não pode ser
classificada como crime político, mas como crime comum. A declaração
do ministro provocou reação dos militares e um pedido
do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva,
para que o ministro deixasse o assunto para ser tratado pelo Poder
Judiciário.
Em entrevista à
revista Carta Capital, Garzón defendeu a abertura dos arquivos
para que se possa responsabilizar os que cometeram crimes durante o regime militar. “Quando não são tomadas as decisões
necessárias apoiadas na verdade, na memória, para se
estabelecer o que realmente aconteceu no passado, o país tem
um problema a resolver. Entendo que o mais acertado, o mais humano, o
mais positivo, é que esses arquivos sejam abertos e os
culpados responsabilizados, e não se tomar a atitude de que nada
acontece, porque é assim mesmo”, disse o juiz na entrevista.
“O debate sobre a
punição aos torturadores e a abertura dos arquivos está
colocado e é importante que a sociedade participe”, destacou
o secretário-executivo da Secretaria Especial de Direitos
Humanos (SEDH), Rogério Sotille.
Garzón vem ao
Brasil atendendo a um convite do governo brasileiro. Em São
Paulo, amanhã, ele fará uma visita ao antigo prédio
do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), hoje
Estação Pinacoteca. O prédio, onde ocorreram crimes de tortura e assassinatos nos anos mais
duros do período militar, serve de palco para a exposição
“Direito à Memória e à Verdade”, organizada
pela SEDH, ligada à Presidência
da República. À noite, às 19 horas, Garzón
participa do seminário internacional “Direito à
Memória e à Verdade”, promovido pela SEDH, em parceria
com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a revista Carta
Capital.
Na terça-feira
(19), em Brasília, o juiz espanhol se encontrará com
autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário e fará
uma palestra no debate promovido pela Universidade de Brasília
(UnB) e a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos
Políticos.
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