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Rio de Janeiro - O
senador Delcídio Amaral (PT-MS) criticou hoje (18) a
politização das discussões sobre o marco
regulatório do gás natural, que, segundo ele, se
transformaram num “samba do crioulo doido”. A situação
chegou a tal ponto que há senadores da base do governo aliados
à oposição e senadores da oposição
aliados ao governo, disse o senador, que preside a Comissão de
Regulamentação dos Marcos Regulatórios do
Senado.
“Não podemos continuar desse jeito, porque
isso traz uma insegurança e um nível de subjetividade
muito grandes, principalmente para a indústria de gás
natural”, alertou Delcídio, ao participar, no Rio, do seminário
1º Fórum Gás Legal.
O senador defendeu a aprovação
imediata de um novo marco regulatório para o setor, mesmo que não
atenda aos interesses de todos. “É muito melhor ter alguma
regra do que não ter regra nenhuma. É aquela história:
ruim com ela, muito pior sem ela. O setor precisa minimamente de uma
regulação.”
Ele disse acreditar que a
nova Lei do Gás seja votada e aprovada ainda neste ano. “No
final deste mês, começo do próximo, haverá
a votação na CCJ [Comissão de Constituição
e Justiça]. Depois, segue para a Comissão de
Assuntos Econômicos, em seguida, passa pela Comissão de
Infra-Estrutura e depois, finalmente, vai para votação
no plenário.” O senador teme que, aí, a lei venha a ser
alterada e assim tenha que voltar para a Câmara, onde já
foi aprovada. “Mas acredito que ela venha a ser votada, e aprovada,
até o final deste ano”, reforçou.
Delcídio alertou que o governo terá de se
esforçar muito para mobilizar a base e chamar todo mundo para
que a lei seja aprovada. “Ficou muito claro na CCJ, com o pedido de
vista coletivo, que a base e a oposição estão
divididas, mas já esperamos demais e é preciso uma
solução o quanto antes.”
Autor da Lei do Gás, que está
em apreciação no Senado, o ex-ministro de Minas e
Energia Rodolfo Tourinho defendeu uma definição urgente
para a questão. “O país precisa dessa lei [do
Gás]", disse
ele, ao lembrar que as discussões já têm mais de
três anos. “Há uma politização
grande sobre o assunto. Já foi um esforço muito grande
aprovar o marco regulatório na Câmara - a partir de um
projeto de lei oriundo do Senado - e acho que o projeto aprovado
deveria ser mantido. Depois, se for necessário algum tipo de
modificação, que a façamos.”
O ex-ministro defendeu um consenso em torno das
discussões, levando em conta os interesses do país.“Se
existisse um consenso - e se buscasse realmente os interesses do país
- esse marco poderia ser aprovado até na próxima
semana. Mas, para que isso aconteça, é preciso colocar
os interesses do país acima dos das empresas, dos estados ou
das companhias distribuidoras.”
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