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18 de Agosto de 2008 - 19h43 - Última modificação em 18 de Agosto de 2008 - 19h43


Economista diz que resultado do IGP-10 indica que inflação poderá fechar abaixo da meta

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - Ao comentar o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) de agosto, o coordenador de Análises Econômicas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), Salomão Quadros, disse que o resultado indica que haverá menos pressões sobre os custos.

“Tudo isso é muito favorável, quando você está numa fase de combate à inflação”, afirmou o economista. Divulgado hoje (18), o índice ficou em 0,38%, contra 2% em julho. É a menor variação do IGP-10 desde julho do ano passado. O índice é calculado com base nos preços praticados entre os dias 10 do mês anterior e 11 do mês de referência.

Segundo Quadros, existem muitas pressões que ainda não foram repassadas ao consumidor e é preciso que esse repasse ocorra de forma disciplinada. Muitos aumentos de custos na indústria ainda não foram repassados ao consumo: “Estão entalados no meio do caminho. Aumentaram os custos para algumas empresas, mas a margem foi encurtada. Se elas puderem, tentarão recuperar as margens. Se a recuperação for muito rápida, todo mundo ao mesmo tempo, isso vira inflação”, disse.

Para o economista, ainda deve haver aumento de juros ao longo deste semestre para controlar a inflação. Ele explicou que a inflação traduzida pelo IGP reflete a cotação de produtos como soja, petróleo e fertilizantes, cujos preços são formados no mercado externo. “A componente internacional da inflação está numa fase bem mais favorável de trégua, mas a inflação doméstica, dos serviços, e os repasses de custos da indústria para o varejo, sem falar nas tarifas, ainda não acabaram. Então, acho que a situação ainda exige cuidados”, ressaltou.

Para Quadros, o cenário, porém, melhorou. Há um mês, analistas estimavam que o teto da meta de inflação ao consumidor em 2008 seria ultrapassado com facilidade. Hoje, entretanto, já se trabalha com a expectativa de que o ano poderá fechar com inflação abaixo da meta de 6,5%.

“Isso se tornou um pouco mais viável, com a queda forte de alimentos que se nota agora, mas ainda é um ganho muito recente e não se tem a devida segurança para saber o quanto é duradouro e sustentável.” Quadros disse que o processo de combate à inflação tem que se consolidar bem. “E isso significa uma política monetária ainda ativa durante algum tempo, até ter certeza de que as expectativas começam a ceder”, concluiu.



 


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