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Rio de Janeiro - Ao comentar o Índice
Geral de Preços-10 (IGP-10) de agosto, o coordenador de
Análises Econômicas do Instituto Brasileiro de Economia
(Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), Salomão
Quadros, disse que o resultado indica que haverá menos
pressões sobre os custos.
“Tudo isso é
muito favorável, quando você está numa fase de
combate à inflação”, afirmou o economista.
Divulgado hoje (18), o índice ficou em 0,38%, contra 2% em
julho. É a menor variação do IGP-10 desde julho
do ano passado. O índice é calculado com base nos
preços praticados entre os dias 10 do mês anterior e 11
do mês de referência.
Segundo Quadros, existem muitas
pressões que ainda não foram repassadas ao consumidor e é
preciso que esse repasse ocorra de forma disciplinada. Muitos
aumentos de custos na indústria ainda não foram
repassados ao consumo: “Estão entalados no meio do caminho.
Aumentaram os custos para algumas empresas, mas a margem foi
encurtada. Se elas puderem, tentarão recuperar as margens.
Se a recuperação for muito rápida, todo mundo ao
mesmo tempo, isso vira inflação”, disse.
Para o economista, ainda deve haver aumento de juros ao longo
deste semestre para controlar a
inflação. Ele explicou que a inflação
traduzida pelo IGP reflete a cotação de produtos como
soja, petróleo e fertilizantes, cujos preços são
formados no mercado externo. “A componente internacional da
inflação está numa fase bem mais favorável
de trégua, mas a inflação doméstica, dos
serviços, e os repasses de custos da indústria para o
varejo, sem falar nas tarifas, ainda não acabaram. Então,
acho que a situação ainda exige
cuidados”, ressaltou.
Para Quadros, o cenário,
porém, melhorou. Há um mês, analistas estimavam
que o teto da meta de inflação ao consumidor em 2008
seria ultrapassado com facilidade. Hoje, entretanto, já se
trabalha com a expectativa de que o ano poderá fechar com inflação
abaixo da meta de 6,5%.
“Isso se tornou um pouco mais
viável, com a queda forte de alimentos que se nota agora, mas
ainda é um ganho muito recente e não se tem a devida
segurança para saber o quanto é duradouro e
sustentável.” Quadros disse que o processo de combate à
inflação tem que se consolidar bem. “E isso significa
uma política monetária ainda ativa durante algum tempo,
até ter certeza de que as expectativas começam a
ceder”, concluiu.
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