



|
Rio de Janeiro - O
presidente da Comissão de Regulamentação dos
Marcos Regulatórios do Senado, Delcídio Amaral (PT-MS),
defendeu hoje (18) mudanças na legislação que
trata do setor de petróleo, diante da nova realidade criada
pela descoberta dos campos do pré-sal. O senador lembrou que,
no modelo atual, existe um componente de risco para os
investidores, o que, segundo ele, não ocorre no caso dos
campos da camada do pré-sal.
“Daí a
necessidade de uma nova modelagem. Porque são campos com uma
produtividade comprovada, garantida. Com uma produtividade elevada,
então, é preciso mudar a modelagem em função
do pré-sal, dessa nova realidade”, afirmou o senador, que
foi diretor da área de Gás da Petrobras. Ele recomendou
que as mudanças sejam feitas com cuidado e precisão
para não afugentar os investidores privados que atuam no país.
“A lei que está em vigência vem
funcionando bem e foi responsável pelo grande salto na
indústria do petróleo no país. Os contratos de
concessão dentro desse conceito de risco vêm funcionando
bem, e a lei não tem trazido nenhum tipo de problema. Pelo
contrário:tem ajudado o país”, destacou Delcídio,
ao participar, no Rio, do seminário 1º Legal Gás
Fórum.
O senador manifestou preocupação com
a politização das discussões sobre o modelo
regulatório para exploração dos campos do
pré-sal. “A politização preocupa, mas, em
algum momento, isso [a discussão] vai terminar em
debate no Congresso Nacional. Não é possível
promover uma discussão completamente isolada sobre o assunto,
até porque esse é um tema de interesse nacional.”
Para Delcídio, é preciso manter
“serenidade e equilíbrio” nas discussões. “É
necessário mudar a legislação? É, mas é
preciso também fazer a lição de casa, estudar
todas as alternativas e as legislações disponíveis.
Ver como funciona no Golfo do México, na Noruega, no Oriente
Médio, na Costa Ocidental da África – para se saber o
que é melhor para a realidade brasileira.”
Ao defender serenidade e equilíbrio nas
discussões, o senador lembrou que o tema diz respeito ao
futuro do país, a investimentos em educação, em
ciência e tecnologia e em logística. Para ele, as
discussões estão começando a sair dos trilhos:
“Aí, vira de vez um debate onde se acentua o político
em detrimento de uma avaliação técnica mais
rigorosa.”
Delcídio disse que, em algum momento, o
debate fará parte do processo político, mas destacou
que a prioridade agora são os estudos sobre o tema. “E eles
envolvem não só o Ministério de Minas e Energia:
passam pela Casa Civil, pela Advocacia Geral da União, pela
Justiça, Meio Ambiente, Desenvolvimento, Educação
e, principalmente, pelo CNPE [Conselho de Política
Energética], que precisa ser ouvido, pois tem um papel
importante no processo.”
Sobre a criação de uma empresa para
cuidar especialmente dos campos do pré-sal, o senador disse
que a proposta precisa ser melhor discutida. “Eu não diria,
de forma peremptória, que é necessário fazer uma
empresa agora. Podemos chegar a tal conclusão, mas não
com os elementos disponíveis no momento. Senão, vai
virar uma babel e a Petrosal vai acabar virando uma Petrossauro.”
O ex-ministro de Minas e Energia Rodolfo
Tourinho, autor da Lei do Gás, atualmente em apreciação
no Senado, disse que é contra modificações no
marco regulatório e contra a criação de uma
empresa especificamente para gerir o pré-sal. Segundo ele,
esses objetivos podem alcançados com uma simples mudança
na questão do percentual dos recursos recolhidos pelo governo
a título de participação especial.
“Essa participação pode pular dos
atuais 40% para 80%. Discutir o assunto é importante, mas já
vir com soluções pré-fabricadas é muito
complicado neste momento. Agora, sou contra a criação
de uma nova estatal para o pré-sal. Aliás, eu sou
contra a criação de qualquer nova estatal”, afirmou
Tourinho.
|
|