|
Brasília - A partir de 1° de
janeiro de 2009 começam a vigorar as novas regras do Acordo
Ortográfico de Língua Portuguesa. O brasileiro terá até dezembro de 2012 para se adaptar
à nova grafia. Um decreto elaborado pelos ministérios
da Educação, das Relações Exteriores e
da Cultura estabelecerá as regras para a fase de transição.
Até 1° de setembro está aberta uma consulta pública
para que os interessados encaminhem sugestões e dúvidas que poderão ser incluídas no decreto.
“A idéia é
propor um trabalho em parceria com a sociedade. Ouvir grandes atores
que estão diretamente envolvidos com o assunto, como as
entidades que representam dirigentes de educação,
editoras, jornais e universidades para que eles avaliem se, de alguma
maneira, aquilo pode causar algum prejuízo sério”,
explicou à Agência Brasil o presidente da
Comissão de Língua Portuguesa (Colip) do Ministério da
Educação, Godofredo Oliveira Neto.
As contribuições
devem ser enviadas para o e-mail acordoortografico@mec.gov.br
. Segundo Neto, a intenção é que o decreto
que regulamentará a fase de transição seja
assinado pelo presidente em 29 de setembro, data do centenário
da morte de Machado de Assis. O presidente da Colip lembra que o
conteúdo do acordo não pode ser alterado, apesar da comissão ter recebido, via consulta pública, algumas propostas nesse sentido.
“Isso é um
decreto legislativo de 1995. As propostas de alteração
da ortografia não estão incluídas nesse decreto,
elas já foram acordadas no Congresso há 10 anos. Não
podemos entrar no mérito do conteúdo da lei”, indica. Neto acredita que a
população vai se adaptar “sem traumas” às
novas regras. Segundo ele, após a assinatura do decreto, há
previsão de uma campanha na mídia para explicar as
alterações. “Principalmente para mostrar que nenhum
aluno poderá ser prejudicado se escrever na norma antiga em
provas de concursos públicos ou vestibulares”, aponta. A não
aplicação das novas regras será considerada erro
depois de dezembro de 2012.
“Acho que houve em um
primeiro momento uma certa reação contra, que não
durou muito. Não são mudanças estruturais, muda
muito pouco no Brasil. O acordo será bom para os dois lados
[Brasil e Portugal] e revigora a língua portuguesa no mundo”,
avalia. Segundo avaliações da Colip, cerca de 0,5% das
palavras serão alteradas no Brasil com o acordo.
Em 2009, o Programa
Nacional do Livro Didático (PNLD), responsável pela
distribuição das obras que serão utilizadas por
alunos da educação básica da rede pública,
já incluirá livros com a nova grafia. “Em 1971, nós
já tivemos uma reforma ortográfica, o Brasil passou
pela mesma coisa. Isso mexe com o emocional das pessoas, mas depois
todos se adaptam”, defende Neto.
Título foi alterado
|
|