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Brasília - O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva vai encaminhar ao Congresso, ainda em
setembro, uma medida provisória que perdoa dívidas
individuais de até R$ 10 mil (valor atualizado) com a União,
contraídas até 31 de dezembro de 2002. A informação
é do líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES).
A decisão foi
comunicada hoje (19) na reunião do Conselho Político,
no Palácio do Planalto. O objetivo é fazer uma limpeza
em 2,1 milhões de processos, que equivalem a 18% dos processos
movidos pela União, mas representam apenas 0,28% do valor que
o governo têm a receber - R$ 3,6 bilhões de um total de
R$ 1,3 trilhão.
Segundo Casagrande,
Lula disse no encontro que é incompetência do governo
deixar uma dívida de R$ 400 chegar a R$ 10 mil.
As dívidas
posteriores a 2002 e superiores a R$ 10 mil serão tratadas em
projetos de lei que estabelecerão novos modelos de negociação.
A idéia é que essas negociações sejam
conduzidas diretamente com os devedores, por instituições
financeiras federais como Banco do Brasil e Caixa Econômica
Federal.
Conforme Casagrande,
o objetivo é “estabelecer uma negociação
amigável” com os pequenos devedores. Ele disse ainda que o
presidente apresentará, no próximo dia 28, relatório
com todos os investimentos contratados pelo governo, que ainda
iniciarão e os que já estão sendo executados. A
apresentação será feita em solenidade com
ministros e parlamentares no Palácio do Planalto.
“Há
um número enorme de dívidas com o valor muito pequeno
em relação ao todo. Essas dívidas dão
muito trabalho para o sistema de cobrança da União, com
baixíssimo resultado”, reforçou o líder do
governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS). “A idéia
é retirar isso da cobrança, o que, de fato, não
seria cobrado jamais."
De
acordo com Fontana, o governo estuda ainda parâmetros para
oferecer uma negociação específica para as
dívidas maiores. “A outra idéia é fazer uma
espécie de negociação específica de um
endividamento”, disse o líder sobre a proposta, cujo desenho
ainda não está terminado.
O governo também
pretende fechar um acordo com os exportadores que cobram na Justiça
créditos de exportação com base no Imposto sobre
Produtos Industrializados (IPI). O acordo prevê a negociação
das dívidas. Em troca, os empresários desistiriam das
ações na Justiça.
“Um terceiro bloco é
formado pela dívida de exportadores com contenda judicial de
muitos anos, nos quais o IPI era isento se creditava na fase
seguinte. A idéia é propor algum tipo de negociação
que permita a esses devedores pagarem com maior rapidez. O país
se apropria desses recursos, faz os investimentos necessários
e também se elimina um conjunto de questões judiciais
para poder permitir as estruturas da União trabalhar mais em
torno de débitos efetivos, onde haja uma contenda judicial
necessária”, disse Fontana.
*A matéria foi alterada para acréscimo de informações.
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