



|
São Paulo - O Regulamento para
Registro, Avaliação, Autorização e
Restrição de Produtos Químicos (Reach, na sigla
em inglês) foi apresentado hoje (19) a representantes da
Confederação Nacional da Indústria (CNI), da
Associação Brasileira da Indústria Química
(Abiquim) e do Instituto Brasileiro de Mineração
(Ibram).
Em reunião na sede da Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), os
empresários foram orientados sobre a necessidade de conhecer e
implantar em seus empreendimentos o Reach, que estabelece a
legislação para substâncias químicas da
União Européia.
Com a exigência, todas as empresas
exportadoras de produtos que contêm as substâncias
determinadas pela lei terão de registrar cada item para que
possam exportá-los. O Reach entrou em vigor em junho do ano
passado, e as empresas têm prazo até 10 de dezembro para
registrar os itens. Os produtos sem tal registro terão as
portas fechadas pela União Européia. A exigência
atinge exportações a partir de uma tonelada ao ano, mas
pode abranger quantidades menores.
Segundo a coordenadora da Comissão de
Regulamentação e Gestão de Produtos da Abiquim,
Nícia Mourão, pode haver uma diminuição
das exportações se as empresas não tiverem
consciência de que existe o Reach e não se registrarem. "Algumas poderão achar que vão pagar
para ir à União Européia. Outras poderão pensar que o
custo é muito alto e direcionar seus produtos para
outros mercados.” Entretanto, o
questionamento maior é onde encontrar mercados tão bons
quanto os europeus, que são os maiores compradores de
substâncias químicas do mundo e pagam muito bem, ressaltou Nícia.
De acordo com ela, o custo de obtenção
do registro é alto, mas as empresas poderão formar
grupos e compartilhá-lo. “Quem exporta em menor quantidade
terá uma incidência de valor menor do que quem exporta
em maior quantidade.” Os cálculos indicam que, para obter os
estudos e dados completos para elaborar o registro, o custo ficará
em torno de 2,8 milhões de euros.
O presidente do Ibram, Paulo Camillo Penna,
destacou a preocupação do setor da mineração em
se adequar ao registro para continuar exportando
para a Europa e também para ampliar seu mercado. “Queremos ocupar a fatia de mercado europeu que ainda não
ocupamos”. Penna observou que, além dos custos altos
para obtenção do registro, existem despesas com a
contratação de pessoas capacitadas para dar andamento
ao processo. “Isso deve onerar significativamente a exportação
desses produtos para a Europa”.
Para a gerente de Meio Ambiente da CNI, Grace
Dalla Pria Pereira, o maior impacto está na competitividade
das indústrias brasileiras, porque, além de acarretar
impacto na competitividade do Brasil, aumenta o custo do investimento
no país. “Isso, possivelmente, vai afastar investidores e
dificultar a permanência e a continuidade de investimentos já
localizados no território nacional.”
Grace disse que a quantidade de regras e
formulários que terão de ser preenchidos para a venda
de alguns tipos de produtos na União Européia tornará
a operação bastante complexa. “As pequenas indústrias
tendem a sofrer mais com as novas regras, porque, se as grandes podem
computar o preço que vai se abater sobre elas no preço
dos produtos para se adaptar a essas regras, as pequenas e médias
vão ter isso como um custo a mais, e isso pode tirar muitas
empresas do mercado.”
|
|