|
Brasília - O governo não precisa criar uma nova empresa
nem mudar a Lei do Petróleo para obter mais
receitas com a exploração do produto na camada
pré-sal. Na avaliação
do senador Francisco Dornelles (PP-RJ), o governo pode apenas
estabelecer novos critérios para o pagamento de royalties e para os
contratos de concessão de exploração.
“Eu acho que se pode
ter mais receitas sem criar a nova empresa e sem vincular fundos”, disse, em entrevista à Agência Brasil. Segundo o senador, que já foi ministro da Fazenda e da
Indústria e Comércio, as mudanças poderiam ser
feitas por decreto.
Entre as mudanças
propostas pelo senador, para arrecadar mais, está o aumento do bônus de
assinatura pago à Agência Nacional do Petróleo,
Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nos leilões
de exploração de petróleo. Na 9ª Rodada de Licitações, realizada no ano passado, a ANP arrecadou
mais de R$ 2 bilhões em bônus de assinatura.
Dornelles também
diz que é possível diminuir a isenção na
participação especial, que é a compensação
paga pelas empresas para grandes volumes de produção.
Atualmente, a participação especial é isenta
para explorações de até 450 mil m³ por
trimestre. Segundo Dornelles, dos 189 campos de petróleo em
terra, apenas seis pagam a participação especial, por
causa da isenção. No caso das plataformas continentais,
dos 74 campos, 14 estão pagando.
Segundo ele, o governo
também pode controlar o volume de exportação de
petróleo por meio dos contratos de concessão. “Essa
possibilidade pode até afastar a preocupação de
alguns de o país produzir volumes expressivos e se tornar
apenas exportador”.
Dornelles não vê
razão para a criação de um fundo soberano para
aplicar os recursos do petróleo, como está sendo
estudado pelo governo. Para ele, seria mais indicado se o governo
aproveitasse esses recursos para pagar a dívida pública
e, com a economia dos juros, investir na educação. “Se
você tem recursos, é preferível abater a dívida
do que fazer um fundo que vai ter rendimentos menores que os juros da
dívida”, argumentou.
A possibilidade de o
Brasil adotar o modelo de partilha, que prevê o repasse ao
governo do petróleo em volume equivalente aos tributos
devidos, também é vista com desconfiança pelo
senador fluminense. “A concessão é o sistema mais
moderno, no sistema de partilha existe muita burocracia.”
Apesar de admitir que
existe possibilidade de o Rio de Janeiro ser prejudicado com uma
eventual mudança na distribuição dos royalties
do petróleo, Dornelles acredita que isso não deve
acontecer. “O Rio de Janeiro não aceita qualquer mudança
que implique em diminuição de royalties”, ressaltou.
Matéria alterada para acréscimo de informação.
|