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São Paulo - A
desaceleração inflacionária apontada pelos
principais indicadores econômicos ainda custa a ser sentida
como um fato real pela maioria dos consumidores, porque, na hora de
pagar pela compra dos alimentos no comércio varejista, a
sensação é de que o dinheiro continua “curto”.
Esse
sentimento existe porque “os alimentos que os brasileiros comem no
dia-a-dia vinham subindo bastante de preço e, apesar de
estarem caindo, permanecem caros”, observou a economista Cornélia
Nogueira Porto, do Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Segundo Cornélia, o feijão subiu
151% de janeiro de 2007 a julho deste ano, conforme constatou o
Dieese em levantamento sobre o Índice do Custo de Vida (ICV) .
Isso ocorreu também com o arroz, cujos preços subiram
38,7% nesse período; a farinha de trigo (52,6%); o óleo
de soja (51,7%) e o pão francês (26%). O Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que é
o parâmetro da inflação oficial, atingiu 6,37%,
no período de 12 meses até julho último.
De acordo com a apuração da Fundação
Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), os preços do
arroz caíram em média 1,8%, na comparação
entre a primeira e a segunda quadrisssemana de agosto. O feijão
teve queda mais acentuada (2,7%). Também foram negativas as
taxas de variação do pão francês (-0,15%);
da farinha de trigo (-2,87%); da batata (-3,2%) e das carnes bovinas
(-0,27%).
Com base nessas constatações,
Cornélia Porto conclui que “seria bem pior” se não
tivesse ocorrido esse movimento de declínio da taxa
inflacionária. Ela acredita que os aumentos generalizados de
preços das commodities (produtos cotados no mercado
internacional) atingiram “o boom especulativo” e, agora,
gradualmente, estão retornando ao nível normal.
Em nota técnica, o Dieese informa que as
principais commodities agropecuárias (soja, milho,
trigo, arroz, carne e algodão) tiveram expressivos avanços,
com base em dados da Organização das Nações
Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). O arroz,
por exemplo, sofreu correções de 343% no período
de 2000 a 2008; a carne, de 192.3%; o trigo, de 331%; e a soja, de
219,6% .
A nota destaca que, além do aumento do
consumo mundial, especialmente em países como a China e a
Índia, houve os preços foram pressionados com a alta na
cotação internacional do petróleo. Como reflexo,
ficaram mais caros os insumos para plantio e o transporte das
mercadorias agrícolas.
Outro fator de pressão está
associado à estratégia dos exportadores de compensar a
perda de rentabilidade causada pela queda do dólar por meio
dos fundos financeiros. “Há, portanto, um componente
especulativo que afeta os preços de diversos produtos
agropecuários nos mercados futuros com efeitos imediatos nos
preços à vista”, conclui a nota da equipe técnica do
Dieese.
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