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Brasília - Indicada pelo governo
para compor o Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a assessora da presidência do Senado Emília Ribeiro
defendeu hoje (20) que a banda larga passe a ser um serviço
público no país. Ela foi sabatinada pelos senadores da
Comissão de Infra-Estrutura e teve seu nome aprovado pelos
parlamentares, mas ainda precisa do aval do plenário do
Senado.
“Acredito que o
momento para o debate é este. Estamos vivendo hoje uma
exigência no nosso dia-a-dia de informação com
rapidez, e a banda larga está na pauta para ser discutida
profundamente”, afirmou Emília. Segundo ela, essa é uma política
que tem que partir do governo e poderia ser utilizada para
informatizar setores como segurança pública, educação
e saúde.
O nome de Emília
Ribeiro foi aprovado depois de muita discussão entre os
parlamentares da comissão. O senador Demóstenes Torres
(DEM-GO) disse que a ida dela para a Anatel serviria para
ajudar a aprovar o Plano Geral de Outorgas (PGO), e, assim, garantir a
fusão das empresas Oi e Brasil Telecom. Ele questionou a
validade do negócio, iniciado sem que as alterações
necessárias na legislação fossem concluídas, e as irregularidades que estão sendo investigadas na
fusão.
“Nem discuto se o
negócio é bom, porque agora não dá para ser realizado. Se ele foi realizado contra a lei e se tem
denúncias gravíssimas de que não foi um negócio
republicano, que tem parlamentares recebendo dinheiro, que tem gente próxima à Presidência da República recebendo recursos, como vamos votar isso?”, inadagou Torres. O parlamentar acredita que, por ter apoio do
governo, o nome de Emília será aprovado também
no plenário do Senado.
Na semana passada, o
relator da indicação, senador Sérgio Guerra
(PSDB-PE), disse que o currículo da servidora não é
suficiente para o cargo. Ele considerou precipitada a indicação feita pelo governo e afirmou que isso reflete a pressa da
Anatel em aprovar o PGO.
Durante a sabatina,
Emília garantiu que sua ida para a Anatel não é
decisiva para a fusão de nenhuma empresa. “Este assunto não
está dentro da agência, o que ela está tratando
hoje é a revisão do Plano Geral de Outorgas e do Plano
Geral de Atualização de Regulamentação”,
disse. Segundo ela, as mudanças já passaram pelo
processo de consulta pública e ainda têm que ser
analisadas novamente pela área técnica da Anatel.
Ao sair da reunião,
a indicada disse que ficou “satisfeitíssima” com o a
aprovação de seu nome, que teve 13 votos favoráveis
e cinco contrários. Segundo ela, os votos contra são
naturais e contribuem para o debate.
O presidente da
Comissão de Infra-Estrutura, senador Marconi Perillo
(PSDB-GO), afirmou que a comissão vai aprofundar o debate das
indicações para as agências reguladoras. “Estamos
percebendo, nos últimos meses, que é crescente o número
de indicações políticas para funções
técnicas nas agências reguladoras, que já padecem
por ser pouco independentes”, disse.
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