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Brasília - A decisão do
Supremo Tribunal Federal (STF) de proibir a contratação
para cargos de confiança de parentes de até o terceiro
grau por agentes públicos dos poderes Executivo, Legislativo e
Judiciário, dividiu as opiniões de líderes
partidários no Senado.
De acordo com a súmula
vinculante aprovada pelo STF, está proibida a nomeação
para cargos de confiança de “cônjuges, companheiro ou
parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o
terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da
mesma pessoa jurídica, investido em cargo de direção,
chefia ou assessoramento”.
O presidente do
Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), que
confirmou ter um filho lotado em seu gabinete, questionou a decisão
dos ministros do Supremo.
“O STF está
legislando. Não temos uma legislação que proíba,
estou surpreso”, afirmou.
O parlamentar não
quis comentar que providência tomará, a partir de agora,
a respeito do emprego de seu filho.
O líder do PMDB,
Valdir Raupp (RO), é outro que terá que se enquadrar às
novas regras estabelecidas pelo STF. Ele disse que tem um cunhado
lotado em seu gabinete, requisitado dos quadros do Ministério
da Agricultura.
“Ele [cunhado]
é um advogado competente, mas diante dessa decisão
terei que devolvê-lo ao ministério”, disse.
O líder do PP,
Francisco Dornelles (RJ), questionou o mérito da decisão.
“Em cargo público tem que se nomear pela competência.
Ninguém pode ser nomeado por ser parente e ninguém pode
ter o nome vetado por ser parente”, defendeu o senador, que disse
que nunca empregou um parente em seu gabinete.
O senador lembrou que
seu primeiro emprego no setor público, quando retornou dos
Estados Unidos em 1961, foi de secretário particular da
Secretaria de Conselho de Ministros, comandada pelo seu tio e então
primeiro-ministro, Tancredo Neves.
Já a líder
do PT, Ideli Salvatti (SC), disse que prefere adotar a postura “de
São Tomé”. “Vamos ver como isso vai funcionar na
prática. Nesses casos eu sou como São Tomé”,
afirmou.
Para ela, não há
crime em se nomear parentes. “Isso [a decisão do STF]
acaba sendo necessário por causa dos excessos e abusos. Qual é
o crime de ser parente? O crime é o abuso”, afirmou a
senadora, que também disse não ter qualquer parente
empregado no gabinete da liderança ou no seu gabinete pessoal.
O líder do DEM,
José Agripino Maia (RN), defendeu a súmula do Supremo.
Segundo ele, no quadro de seus funcionários não há
qualquer parente de até terceiro grau nomeado.
“Eu tenho, sim, um
parente de oitavo ou décimo grau, de sobrenome Maia, que
trabalha comigo há 30 anos, desde que fui prefeito de Natal,
em 1979”, disse.
Para Agripino Maia, não
há como se opor à decisão dos ministros do
Supremo “uma vez que a medida é para valer também
para o Judiciário”.
Para o líder do
PSDB, Arthur Virgílio Neto (AM), o Supremo apenas disciplinou
sobre um assunto que é exigência da própria
sociedade.
“A sociedade não
aceita mais esse tipo de coisa e cabe às autoridades públicas
se adaptarem a essa nova realidade”, ressaltou.
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