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25 de Agosto de 2008 - 05h59 - Última modificação em 25 de Agosto de 2008 - 07h05


Candidato Ricardo Bessa promete integração entre ações de saúde e educação em Manaus

Amanda Mota
Repórter da Agência Brasil

 
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Manaus - O historiador, mestre em Ciências Políticas e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ricardo Bessa, já foi candidato a deputado federal e a senador. Em 2006, decidiu mudar de partido, deixando o PT e passando a integrar o P-SOL. Este ano, participa das eleições municipais disputando - juntamente com outros cinco políticos - o cargo de prefeito de Manaus. Ricardo Bessa é da coligação "Frente de Esquerda Socialista" (P-SOL/PSTU) e nesta segunda-feira (25) é apresentado na série de matérias especiais da Agência Brasil.

Ricardo Bessa reconhece que não são poucos os investimentos do poder público municipal na área de saúde, mas considera que os valores não são aplicados de forma coerente. "Ela [a prefeitura de Manaus] gasta muito, mas gasta mal. E gasta mal porque prioriza a medicina curativa e não a preventiva. Ou seja, a Secretaria Municipal de Saúde, ao invés de evitar que as pessoas fiquem doentes, espera que elas adoeçam para, somente depois, oferecer-lhes algum tipo de tratamento, no geral precário e problemático", disse.

Com base nesse argumento, Bessa propõe a execução do Projeto Educação e Saúde, uma política da medicina preventiva com a interação entre agentes de saúde, professores e corpo técnico das escolas da rede municipal e articulada com uma política de investimentos significativos em outros setores, como saneamento e geração de emprego e renda. "Está comprovado que, para cada R$ 1,00 que o administrador investe em educação, gera-se uma economia de R$ 3,00 em saúde e R$ 4,00 em segurança pública. Muitas das enfermidades que afetam a nossa população podem ser  minimizadas apenas com ações de caráter pedagógico, que orientem noções de higiene pessoal e cuidados com a própria saúde", destacou.

Nesse sentido, o candidato da coligação P-SOL/PSTU propõe ainda, como meta de governo, entre outras medidas, a construção do Hospital do Trabalhador, para atender a população com maior dificuldade de acesso à rede de saúde pública; a criação e progressiva difusão do Centro Integrado de Prevenção e Orientação Alimentar (Cipoa); a reestruturação dos postos de saúde da rede municipal e construção de novas unidades nos bairros das zonas norte e leste da cidade; e a ampliação progressiva do quadro de médicos e enfermeiros, visando a proporcionar atendimento em tempo integral (24 horas) em todas as unidades de saúde do município.

"Um outro fator importante na redução das estatísticas relacionadas a algumas enfermidades diz respeito à adoção de uma decidida política na coleta seletiva e na reciclagem do lixo produzido em Manaus. Associada também aos graves problemas da saúde pública está o problema da subnutrição infantil. Muitas crianças adoecem porque são mal alimentadas. Para resolver esse problema, faremos convênio com a Pastoral da Criança, implantando um grande programa de combate à fome e à subnutrição, ministrando também cursos de alimentação alternativa", acrescentou o candidato.

Com relação ao setor da educação municipal, Ricardo Bessa disse acreditar na necessidade de um aumento no volume de investimentos para alcançar um modelo educacional com qualidade socialmente referenciada, no menor espaço de tempo possível. Para o candidato, a concretização desse ideal passa necessariamente pela valorização e pela qualificação dos profissionais que atuam na área do ensino. Diante disso, ressaltou, é preciso construir políticas públicas, que garantam a efetiva participação de professores, pedagogos, funcionários, pais de alunos, alunos e representantes sindicais. "Tudo isso para contemplar os seguintes eixos: melhoria contínua na qualidade do ensino, política salarial condizente, plano de cargos e salários que torne as carreiras do ensino interessantes, melhoria geral nas condições de ensino e aprendizagem", exemplificou.

"As verbas públicas da educação, na visão dos partidos que compõem a coligação, devem ser investidas exclusivamente no setor público, e o planejamento do orçamento deve resultar de amplo debate com a sociedade civil, de modo que, efetivamente, os interesses reais da população sejam atendidos", acrescentou Bessa.

Nesse setor, Ricardo Bessa promete apresentar uma série de propostas, entre elas a universalização da educação infantil, dando prioridade à construção de creches nos bairros da periferia de Manaus e obedecendo cronograma aprovado pelas comunidades; o provimento de material didático-pedagógico e tecnológico necessário ao desempenho do trabalho docente e administrativo, e do aprendizado discente; e a ampliação progressiva da escola em tempo integral. Outra novidade proposta é a inclusão, no currículo do ensino fundamental, das disciplinas Ciências do Ambiente e Práticas Agrícolas, tendo as hortas como laboratório para aprendizagem, bem como para a produção de legumes e verduras, por meio de métodos orgânicos.

Já na área referente ao saneamento, Ricardo Bessa prometeu elaborar e iniciar a execução de um amplo plano de saneamento para a cidade e também trabalhar para realização do saneamento de igarapés, que existem na área urbana de Manaus, com a assessoria de pesquisadores do Centro de Ciências do Ambiente da Ufam. Em sua avaliação, o fato de apenas 5% da cidade ser atendida com rede de esgoto é um problema de ordem social e não econômico.

"O problema da água em Manaus evidencia o descaso do grupo político que governa Manaus há décadas com o povo. É uma aberração em todos os sentidos, tendo em vista que estamos situados à margem do maior rio do mundo em volume de água. Nesse sentido, a privatização do sistema de abastecimento de água, feita de forma totalmente irresponsável, pode e deve ser considerado um grave crime cometido contra a população desta cidade. Embora tenha sido um fracasso total, nenhum dos grupos políticos tradicionais acena com a possibilidade da volta desse serviço ao controle estatal. A Frente de Esquerda Socialista agirá na direção contrária, pois entende que somente o poder público possui capacidade e  competência para a superação desse gravíssimo problema", resumiu Bessa.

Quanto aos temas transporte e trânsito urbano, o programa de governo proposto por Ricardo Bessa almeja a construção de um terminal hidroviário destinado, exclusivamente, para os barcos que saem da capital rumo ao interior do Amazonas e aos municípios dos estados vizinhos; a elaboração, através de diálogo com a Câmara Municipal, de uma rigorosa legislação com o fim de disciplinar e fiscalizar o tráfego de embarcações nos portos de Manaus, com supervisão e acompanhamento da Capitania dos Portos; a elaboração e a execução de um de plano de "humanização do trânsito" de Manaus, por meio da realização de novos estudos de engenharia, a construção de um metrô de superfície e a criação de ciclovias às margens das linhas desse meio de transporte.

"A população de Manaus enfrenta hoje um dos mais caóticos trânsitos do país. Nossa cidade cresceu sem nenhum planejamento e hoje não apresenta condições mínimas para suportar o crescente volume de tráfego nas principais vias urbanas do centro e das zonas adjacentes. São mais de 400 mil carros circulando diariamente e, nesse contexto, a construção do metrô de superfície é uma medida imperiosa na solução definitiva para os problemas de nosso trânsito, já à beira de um completo colapso", considerou o candidato.

Ricardo Bessa concluiu afirmando que "o efetivo controle do poder público sobre o valor da tarifa, percurso e intervalos de saída dos ônibus e veículos que executam, mediante concessão, serviços de transporte coletivo em Manaus, é um dos objetivos centrais da ação governamental que a Frente de Esquerda Socialista perseguirá quando na direção da Prefeitura Municipal de Manaus. Esse é um aspecto fundamental na superação dos graves problemas que afetam o transporte de massa em nossa cidade".

Amanhã (26), a Agência Brasil concluirá a série de entrevistas com os seis candidatos à prefeitura de Manaus, com a publicação da entrevista e perfil com o candidato Serafim Corrêa.



 


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