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21 de Agosto de 2008 - 17h13 -
Última modificação
em 21 de Agosto de 2008 - 17h13
Biblioteca Digital e Sonora pode tornar país destaque na inclusão, diz especialista
Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil
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Marcello Casal Jr./ABr
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Brasília - O médico e aluno de doutorado da Universidade de Brasília, Juarez Castellas, participa da cerimônia de inauguração da Biblioteca Digital e Sonora da UnB, uma das primeiras no Brasil que atendem pessoas com deficiências visuais
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Brasília - A iniciativa de disponibilizar online e fisicamente cerca de 600
títulos digitalizados e sonorizados pode levar o Brasil a
alcançar uma posição de destaque mundial no quesito inclusão de
pessoas com deficiência.
A avaliação
é da coordenadora do Programa de Apoio às Pessoas com
Necessidades Especiais da Universidade de Brasília (UnB),
Patrícia Raposo, que participou hoje (21) da cerimônia
de inauguração da Biblioteca Digital e Sonora da
instituição.
“É
uma forma de eliminar uma grande barreira que é a falta de
acesso à informação e ao conhecimento. Com isso,
visamos democratizar o acesso à educação e à
cultura, possibilitando a essas pessoas ler, escrever, editar textos,
pesquisar, enfim, construir conhecimentos e saber.”
Patrícia
lembra que as pessoas cadastradas com login e senha terão
acesso irrestrito aos livros e textos adaptados e que a UnB pretende
inserir ainda material literário internacional. Segundo
ela, obras do escritor brasileiro Machado de Assis, por exemplo, consideradas de domínio público, foram sonorizadas em voz humana e estão disponíveis
na biblioteca. Documentos e artigos, em sua maioria,
foram digitalizados e sonorizados por meio de um ledor
eletrônico, já que têm como destino um público
mais seleto como estudantes e pesquisadores.
É o caso de Juarez Castellar, aluno de doutorado em Ciências
Médicas da UnB. Em 1991, o médico, já formado,
perdeu a visão por conta de uma doença de origem
genética conhecida como retinose pigmentar, que afeta também
sua irmã. Ele conta que teve que abrir mão das três
coisas que mais apreciava: ler, jogar xadrez e correr.
“Fiquei
cerca de três anos parado, sem fazer quase nada por
impossibilidade. Meus filhos me ajudaram muito lendo literatura
médica para mim.”
Ele
lembra que, pouco tempo depois, durante uma visita a São
Paulo, encontrou em uma exposição de informática um programa ledor para computadores que mudaria
sua vida.
“Sentei
lá e não queria sair mais, fiquei como uma criança
em um parque de diversões. A partir daí, tudo renasceu.
Voltei a ler, a jogar xadrez e passei até a correr com um
guia, porque fiquei mais animado."
"Voltei a estudar e resolvi renovar
minha parte de formação educacional. Estou
fazendo doutorado graças à ajuda do pessoal do
laboratório de assistência ao deficiente visual da UnB.
Eles escaneiam todos os documentos que preciso, e olha que no
doutorado há uma quantidade de leitura muito grande. Esse
escaneamento passa por um tratamento e o sistema lê”, diz.
Após
utilizar a Biblioteca Digital e Sonora da UnB, Castellar avalia que o
sistema é “relativamente fácil” porque conta com um
passo-a-passo logo na primeira página do site. Ele
lembra que o recurso possibilita que a pessoa com deficiência
visual possa se integrar mais, sobretudo no quesito intelectual, “que
não é tão fácil”.
“Não
só para as pessoas que perderam a visão por motivo
acidental mas principalmente para as crianças que o pessoal
chama de cegos congênitos. Elas podem ter acesso a todo esse
material no momento em que aprendem a manipular um programa que é
muito simples. Tem muitas teclas de comando e
de atalho”, afirma o doutorando.
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