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Brasília - Um seleto grupo de cursos superiores brasileiros poderá ganhar um selo
de qualidade reconhecido pelos países do Mercado Comum do Sul
(Mercosul). Essa é a idéia do Sistema de Acreditação
Regional de Cursos Universitários do Mercosul (ArcuSul), que
além de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, membros do
bloco, incluirá Venezuela, Chile e Bolívia.
Na primeira fase, que já está aberta
para inscrições, serão avaliadas graduações
em agronomia e arquitetura. Ao todo, serão reconhecidos 100
cursos. O objetivo do sistema é estabelecer um padrão
de qualidade para estreitar as relações entre os
países. Entre as possibilidades estão programas de
intercâmbio de estudantes e professores, a dupla diplomação
em universidades de dois países e a simplificação
do processo de validação de diplomas estrangeiros.
“A acreditação é um
processo de conferir um selo de qualidade, não é uma
avaliação no sentido que se faz hoje no Brasil. É
pegar só os que já são bons e dar o selo aos
melhores”, explica o presidente do Conselho Nacional de Avaliação
Superior (Conaes), Sérgio Franco.
Para se inscrever, a instituição
precisa atender a dois critérios básicos: ter pelo
menos 10 anos de existência e ser uma universidade, ou seja,
integrar ensino, pesquisa e extensão. O processo é
voluntário, e o selo será concedido a no máximo
20 cursos brasileiros em cada uma das áreas. No primeiro
semestre do ano que vem, poderão se inscrever cursos de
medicina veterinária e enfermagem, em seguida, os de
engenharia e, em 2010, os de medicina e odontologia.
“No acordo, pediu-se um limite por país –
40% das vagas – para que um só não dominasse o
processo. E esse país era o Brasil, porque aqui há uma
quantidade muito maior de cursos. Se forem somados todos os cursos
de agronomia e arquitetura, o país chega quase ao total de
cursos de todas as áreas do Paraguai”, compara Franco.
O presidente da Conaes não acredita que o
novo sistema seja excludente. “A idéia não é
deixar ninguém de fora, mas favorecer os bons. O nome da
instituição que solicitar a acreditação,
mas não conseguir, não será divulgado. A lógica
aqui é de um selo de qualidade, diferente da lógica do
Sinaes [Sistema Nacional de Avaliação do Ensino
Superior], que é de avaliação e inclusive
pode ajudar a separar o joio do trigo.”
Depois de inscrita, a instituição
terá quatro meses para fazer uma auto-avaliação
e preparar-se para a visita de uma comissão internacional
formada por um especialista brasileiro e dois estrangeiros. Os
critérios serão a organização
didático-pedagógica, a qualidade do corpo docente e
técnico, a infra-estrutura e uma avaliação
institucional.
O selo será concedido no prazo de um ano e
terá validade por seis anos. Após esse período,
a universidade que quiser a renovação do selo deve
participar de outra convocatória.
O Sistema ArcuSul foi discutido nesta semana, em
Brasília, durante o 2° Seminário Internacional de
Avaliação da Educação Superior. “Na
Europa, existe o chamado Acordo de Bolonha, que partiu de uma
tentativa de padronização dos cursos. O que nós
queremos aqui é criar critérios de qualidade de nível
internacional, para que no futuro possamos trabalhar um acordo
Europa-América para que haja integração entre os
dois sistemas de acreditação”, adianta Franco.
Na próxima semana, o Conaes divulga uma
publicação com todos os detalhes do processo. As
instituições interessadas em participar do sistema
ArcuSul podem entrar em contato com o conselho pelo e-mail
conaes@mec.gov.br.
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