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Brasília - As críticas de
que o projeto de lei que estabelece critérios para a adoção
de crianças e adolescentes é preconceituoso por não
contemplar os homossexuais estão fora de foco, na opinião
do desembargador Luiz Carlos Figueiredo, integrante do comitê
gestor do Cadastro Único de Adoção, do Conselho
Nacional de Justiça (CNJ).
Segundo ele, em vez de
discutir os direitos dos casais homossexuais em adotar crianças
e adolescentes, é preciso aprovar o projeto que tramita na
Câmara dos Deputados que trata da união civil de casais
do mesmo sexo. Com a aprovação dessa proposta, segundo
o desembargador, casais homossexuais poderiam adotar crianças
normalmente.
“Esse projeto está
há anos na Câmara e precisa ser votado. Não
podemos esconder isso atrás da porta. É um fato que
existe. Essa discussão tira o foco do projeto como um todo. É
querer um objetivo, mas atirar em outro alvo”, afirmou.
O projeto que define as
normas para adoção foi aprovado na Câmara dos
Deputados na última quarta-feira (20) e ainda precisa passar
pelo Senado.
O desembargador afirmou
que, se a questão homossexual estivesse contemplada no
projeto, o texto não teria sido aprovado.
“E não se
poderia sacrificar a criança por causa disso, se não a
lei não iria passar pela bancada evangélica e por
bancadas radicias. Não seria justo sacrificar as crianças
para lateralizar o problema. A decisão atual de evitar o
confronto foi correta”, disse.
Na visão do
desembargador, o perfil de casais homossexuais que desejam adotar uma
criança ou adolescente mudou nos últimos 20 anos.
“Antes, nove entre
dez queriam uma menina. Hoje, a preferência pelas meninas, que
ainda é marcante, foi reduzida. Hoje é de seis para
quatro. Antes, a preferência era por recém-nascido,
hoje, a média nacional ultrapassa dois anos”, disse,
acrescentando que grupos de irmãos e crianças que
apresentam algum tipo de deficiência são os maiores
problemas.
“As pessoas queriam
registrar como se fosse filho, sempre quiseram simular um filho
biológico, se tem nariz grande, loiro, olhos azuis e bem
novinho até para enganar a própria vizinhança.
Hoje isso mudou. E não foi uma campanha, foi a sociedade civil
que mudou”, disse.
São consideradas
aptas à adoção as crianças que
comprovadamente são abandonadas, sem parentes, e vítimas
de maus tratos. O principal problema, segundo o desembargador, era
que o Brasil não tinha uma normatização desse
processo.
“Quando se encontrava
uma criança numa situação de risco, em vez de
procurar um parente, a solução mais fácil era
colocar dentro do abrigo”, disse.
Por essa razão,
segundo o desembargador, estão em abrigos, sem necessidade,
mais de 80 mil crianças, sendo que menos de 10% delas estariam
abandonadas.
“Com o projeto de
lei, essa farra vai acabar”, acredita.
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