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25 de Agosto de 2008 - 21h00 - Última modificação em 25 de Agosto de 2008 - 21h00


Para dirigente da Febraban, ciclo de expansão do crédito é salutar

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

 
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São Paulo - O Brasil vive hoje um ciclo de expansão de crédito “salutar”, avaliou hoje (25) o superintendente de Economia da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Nicola Tingas, ao comentar a Nota Política Monetária de Operações de Crédito do Banco Central (BC).

O BC apontou, na nota, que houve crescimento no volume de crédito ofertado pelos bancos, atingindo o valor mais alto na série histórica.

“Estamos vivendo um ciclo de expansão do crédito que está se mostrando coerente com o ciclo da economia, principalmente nessa fase salutar, porque hoje o crescimento do crédito é muito mais ligado a empresas onde há maior capital de giro sendo utilizado, uma maior oferta sendo feita e um aumento da produtividade”, disse.

De acordo com o superintendente da Febraban, a estabilidade no emprego e o crescimento da renda do brasileiro fizeram crescer a necessidade de consumo, que deve ser refreada. “Passamos a consumir muito rápido. O crédito está crescendo a termos nominais. Isso significa que estamos demandando produtos e serviços numa velocidade fantástica. Mas a oferta não é tão rápida quanto o consumo”, observou.

Tingas disse ainda que o consumo precisa continuar crescendo num ritmo mais moderado para que o investimento se consolide e a oferta se equipar à demanda.

Segundo ele, um dos efeitos positivos da obtenção de crédito na economia brasileira é a capacidade de melhorar o padrão de vida do tomador.

“Na medida em que você tem crédito, você consegue consumir aquilo que seria sua renda futura. Você antecipa a renda e consegue melhorar seu padrão de vida e seu bem-estar desde já.” Ele lembrou, no entanto, que é preciso levar em conta o compromisso de pagamento. “Evidentemente, tomar crédito também significa um compromisso de pagamento, portanto, devemos saber tomar crédito de forma equilibrada e racional e não nos endividarmos ao extremo”, observou.

Uma das formas de crédito que ele vê com ressalvas é o cheque especial que, segundo ele, só deveria ser usado como fonte de renda em caso de emergência. “Cheque especial é para curtíssimo prazo, para situações especiais”, afirmou. O BC registrou que, em julho, os juros do cheque especial foram os mais altos desde agosto de 2003.

Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o dado que mais chamou a atenção na nota do BC foi o aumento das taxas de juros dos empréstimos. 

“Ao contrário do observado em janeiro – quando a elevação do custo do crédito foi atribuída ao aumento das alíquotas dos impostos – a alta em julho decorreu da elevação da meta da taxa Selic, que contaminou o custo de captação dos bancos e, sobretudo, do aumento do spread bancário, o que constitui sintoma de uma maior aversão ao risco dos bancos, em especial no segmento de pessoa física, diante do crescimento excessivo do crédito, há vários meses”, disse o instituto, em nota.

De acordo com o Iedi, o que gera preocupação, no que diz respeito aos números divulgados pelo BC, é a tendência de estabilização nos prazos e a persistência de alta do custo dos empréstimos. Se estes fatos ocorrerem, na avaliação do instituto, “a alta resultante no valor das prestações pode desestimular as operações de crédito nos próximos meses”.



 


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