



|
São Paulo - O Brasil vive hoje um ciclo de expansão de
crédito “salutar”, avaliou hoje (25) o superintendente de
Economia da Federação Brasileira de Bancos (Febraban),
Nicola Tingas, ao comentar a Nota Política Monetária de
Operações de Crédito do Banco Central (BC).
O BC apontou, na nota, que houve crescimento no
volume de crédito ofertado pelos bancos, atingindo o valor
mais alto na série histórica.
“Estamos vivendo um ciclo de expansão do
crédito que está se mostrando coerente com o ciclo da
economia, principalmente nessa fase salutar, porque hoje o
crescimento do crédito é muito mais ligado a empresas
onde há maior capital de giro sendo utilizado, uma maior
oferta sendo feita e um aumento da produtividade”, disse.
De acordo com o superintendente da Febraban, a
estabilidade no emprego e o crescimento da renda do brasileiro
fizeram crescer a necessidade de consumo, que deve ser refreada.
“Passamos a consumir muito rápido. O crédito está
crescendo a termos nominais. Isso significa que estamos demandando
produtos e serviços numa velocidade fantástica. Mas a
oferta não é tão rápida quanto o
consumo”, observou.
Tingas disse ainda que o consumo precisa continuar
crescendo num ritmo mais moderado para que o investimento se
consolide e a oferta se equipar à demanda.
Segundo ele, um dos efeitos positivos da obtenção
de crédito na economia brasileira é a capacidade de
melhorar o padrão de vida do tomador.
“Na medida em que você tem crédito,
você consegue consumir aquilo que seria sua renda futura. Você
antecipa a renda e consegue melhorar seu padrão de vida e seu
bem-estar desde já.” Ele lembrou, no entanto, que é
preciso levar em conta o compromisso de pagamento. “Evidentemente,
tomar crédito também significa um compromisso de
pagamento, portanto, devemos saber tomar crédito de forma
equilibrada e racional e não nos endividarmos ao extremo”,
observou.
Uma das formas de crédito que ele vê
com ressalvas é o cheque especial que, segundo ele, só
deveria ser usado como fonte de renda em caso de emergência. “Cheque
especial é para curtíssimo prazo, para situações
especiais”, afirmou. O BC registrou que, em julho, os juros do cheque especial foram os mais altos desde agosto de 2003.
Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento
Industrial (Iedi), o dado que mais chamou a atenção na
nota do BC foi o aumento das taxas de juros dos empréstimos.
“Ao contrário do observado em janeiro –
quando a elevação do custo do crédito foi
atribuída ao aumento das alíquotas dos impostos – a
alta em julho decorreu da elevação da meta da taxa
Selic, que contaminou o custo de captação dos bancos e,
sobretudo, do aumento do spread bancário, o que
constitui sintoma de uma maior aversão ao risco dos bancos, em
especial no segmento de pessoa física, diante do crescimento
excessivo do crédito, há vários meses”, disse
o instituto, em nota.
De acordo com o Iedi, o que gera preocupação,
no que diz respeito aos números divulgados pelo BC, é a
tendência de estabilização nos prazos e a
persistência de alta do custo dos empréstimos. Se estes
fatos ocorrerem, na avaliação do instituto, “a alta
resultante no valor das prestações pode desestimular as
operações de crédito nos próximos meses”.
|
|