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Brasília - A demonstração da
Contabilidade Pública vai passar por profundas mudanças
a partir de agora, com o objetivo de dar transparência às
contas do setor, segundo informou hoje (25) o ministro da Fazenda,
Guido Mantega. Segundo ele, a meta de superávit primário
não muda, mas sim a maneira de demonstrar a contabilidade, com mais destaque para o resultado nominal..
Inicialmente, será criado um
amplo grupo de trabalho para fazer as adequações
necessárias à padronização das normas
contábeis aos padrões internacionais. Na verdade, o
objetivo do Ministério da Fazenda dar menos destaque a conceitos
como superávit e déficit primários, nominal,
operacional etc, que não são adotados na contabilidade
de outros países, pois as contas ou são positivas ou
são negativas.
São conceitos que, segundo o
ministro, foram inventados no país em épocas passadas
para esconder a situação das finanças
públicas. “A partir de agora, tudo será mais
explicitado. Mas não vamos acabar com o superávit
primário”, disse, esclarecendo que o que muda é a
demonstração contábil.
O ministro também informou
que o projeto tem prazo de implantação até 2010
quando o governo espera alcançar déficit nominal zero. As adequações permitirão também
melhor acompanhamento do patrimônio da União.
Os conceitos corriqueiros de
resultados primários - que é o resultado das contas sem
levar em consideração os gastos com os juros -
terminaram relegando a segundo plano a divulgação dos
resultados nominais (incluem juros), que também são
importantes e usados nas divulgações oficiais do Banco
Central e do Tesouro Nacional e em parâmetros para a elaboração
do orçamento público.
Não é de agora que
existe no país um esforço do governo para ajustar as
normas contábeis aos padrões internacionais. Em
dezembro de 2007, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
assinou a Lei 11.638/07, que passou a vigorar no início deste
ano e altera a Lei das Sociedades por Ações.
Na ocasião a Comissão
de Valores Mobiliários (CVM) manifestou-se através de
um comunicado para reafirmar que a nova lei possibilitava a
“eliminação de algumas barreiras regulatórias
que impediam a inserção total das companhias abertas no
processo de convergência contábil internacional, além
de aumentar o grau de transparência das demonstrações
financeiras em geral”.
Ao decidir seguir o padrão
internacional, a contabilidade nacional passa a se adequar às
recomendações do Iasb (International Accounting
Standards Board), uma entidade do setor privado, independente, criada
em 1973 para estudar, preparar e emitir normas de padrões
internacionais de contabilidade.
Com sede em Londres, Grã-Bretanha,
o Iasb é formado por 140 entidades profissionais mundiais,
incluindo do Brasil, e é vinculada ao Comitê de Normas
Internacionais de Contabilidade, com sede em Delaware, nos Estados
Unidos.
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