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Brasília - Quatro mulheres, três delas deputadas federais, estão na disputa pela Prefeitura de Porto Alegre (RS), concorrendo com dois homens - um deputado federal e o atual prefeito, candidato à reeleição. A partir de hoje (27), a Agência Brasil começa a publicar entrevistas com os candidatos, com perfil e propostas de campanha, abrindo com a candidata Maria do Rosário (PT).
De acordo com a agenda estabelecida, amanhã (28) será a vez de Onyx Lorenzoni (DEM), seguindo-se
Luciana Genro (P-SOL) na sexta-feira (29); Manuela D'Ávila (PCdoB) no
sábado (30); José Fogaça (PMDB), candidato à reeleição, no domingo
(31); e Vera Justina (PSTU) na segunda-feira (1º de setembro).
Após
dois mandatos como vereadora, um como deputada estadual e outro como deputada federal, Maria do Rosário concorre pela primeira vez como cabeça de chapa à
Prefeitura de Porto Alegre. Suas principais propostas são
aumentar o número de equipes de saúde da família
de 84 para 250 e ampliar o atendimento dos hospitais e do Sistema de
Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Liderando a coligação Frente Popular (PT/PSL/PTC/PRB), Maria do Rosário promete mudar, primeiramente, a gestão dos
gastos da saúde. “Acredito que a saúde tem que
funcionar como um sistema integrado. A questão da gestão
é tão importante quanto novos equipamentos. Hoje, me
voltaria muito para a gestão em um momento inicial e para a
disputa de projetos que possamos apresentar ao Ministério da
Saúde garantindo a ampliação dos recursos e do
teto do SUS [Sistema Único de Saúde] para a
nossa cidade”, afirmou.
Maria do Rosário
acredita que faltou iniciativa da atual gestão municipal para
conquistar mais recursos para a saúde da capital. “As
políticas do Ministério da Saúde, de modo geral,
respondem à necessidade da cidade, mas a atual gestão
não enviou ao ministério os projetos para que Porto
Alegre pudesse receber recursos que outras cidades receberam.
Perdemos recursos para o nosso hospital de pronto-socorro. Mantemos
uma baixa cobertura na equipe de saúde da família e
vamos aumentar isso como nossa meta”, afirmou Rosário à
Agência Brasil.
Para
a candidata petista, a saúde de Porto Alegre não está
na UTI [Unidade de Terapia Intensiva], mas precisa de medidas urgentes para melhorar o atendimento à
população. “A saúde vive uma dificuldade muito
grande na nossa cidade pela perda de recursos que deixaram de ser
acessados no ministério na medida em que o atual prefeito não
enviou os projetos e pela necessidade, portanto, de mais
investimentos municipais e uma gestão mais qualificada. O que
eu quero dizer é que a população merece um
atendimento melhor e vou trabalhar para isso”, prometeu.
Para
educação, Maria do Rosário promete ampliar investimentos
prioritariamente na educação infantil.
“Porque as crianças contam com uma rede muito
pequena à sua disposição para conseguir acessar
a educação infantil, as creches de modo geral. Porto
Alegre é uma cidade que foi pioneira na estruturação
de uma rede de creches conveniadas da comunidade. Fiz a emenda que
incorporou essas creches com a possibilidade de financiamento do
Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da
Educação Básica]. Agora, falta aqui e
provavelmente em outras cidades também, fazer com que essas
crianças sejam contadas, para saber quantas são as que necessitam de apoio, para que tanto o município quanto
o governo federal disponibilizem recursos para essas creches
comunitárias”, argumentou.
Outra
meta de campanha é melhorar o desempenho dos estudantes
porto-alegrenses no Indicador de Desenvolvimento da Educação
Básica (Ideb). “Porto Alegre poderia estar melhor em termos
de qualidade de educação, não apenas na educação
pública. Há investimentos importantes na educação
privada. Mas, o mais importante mesmo é que a educação
pública responda às necessidades de uma geração.
E a educação é por onde a gente poderá dar a
essa nossa juventude um futuro melhor”.
Na
área de transporte, Maria do Rosário promete estimular
o transporte coletivo como forma de desafogar o trânsito da
capital. “Perdemos na nossa cidade cerca de 25% dos passageiros de
transporte coletivo no último período. Queremos,
portanto, que o transporte coletivo retome qualidade para que possa
atender a população e, com isso, enfrentaremos também
os engarrafamentos, que já estão presentes em vários
horários do dia em todos os bairros da cidade”.
Para
segurança, a candidata da Frente Popular pretende, se for
eleita, colocar câmeras em vários pontos da cidade para
conter a violência. “Campinas é uma cidade referência
para o que chamamos de monitoramento eletrônico daquilo que
pode ser feito na cidade em termos de praças, ruas, postos de
saúde, unidades de educação. Isso para nós
é absolutamente importante na revitalização da
cidade. Pensamos também em constituir áreas
integradas de segurança pública, inclusive em parceria
com o estado, para que a guarda municipal possa atuar também
com a nossa brigada militar e polícia civil”.
Segundo
Maria do Rosário, em seu governo a região central da
cidade será ocupada com políticas de habitação
popular nos prédios que estão abandonados ou
subaproveitados. Ela promete ainda trabalhar no sentido de promover a
regularização fundiária em Porto Alegre.
“Estamos com muitas vilas ainda sem regularização
fundiária e quero trabalhar também no saneamento que
chamamos de programa integrado socioambiental que começou
nos governos da Frente Popular e que poderá devolver a
balneabilidade ao [Rio] Guaíba, tratando 77% do esgoto
da cidade", disse.
As
favelas também terão atenção especial. “O
ponto de partida é a regularização fundiária
porque estabelecendo a regularização, vamos organizar
os terrenos, urbanizar as favelas e procurar garantir isso de um modo
bem objetivo para a nossa população. Sempre dizendo: a
gente não pode dizer que vai fazer tudo, mas a gente vai lutar
por isso com toda a certeza”, disse Maria do Rosário.
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