



|
Brasília - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o relator da ação que contesta a demarcação
em área contínua da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, Carlos
Ayres Britto, disseram hoje (27) que o ministro Menezes Direito não deve ser
criticado pelo pedido de vista que suspendeu o julgamento por tempo
indeterminado.
“É natural que o ministro, diante de tantas
informações e reflexões jurídicas, queira estudar o processo em seu
gabinete. Só esta ação contém 51 volumes nos autos”, assinalou Britto,
após votar pela manutenção da demarcação da reserva com 1,7 milhão de
hectares em faixa contínua, com a saída obrigatória dos não-índios da
área.
O presidente do STF também enfatizou a “normalidade”
da interrupção e sinalizou com a volta do processo ao plenário até o fim
do ano.
“Num caso como esse temos que nos acostumar com um
pedido de vista. Vamos dar seqüência no julgamento e fazê-lo com a
maior brevidade possível. Nosso compromisso é encerrar ainda este
semestre”, disse Mendes.
Menezes Direito, autor do pedido de vista, não aceitou conceder
entrevista. Ainda durante o julgamento, o ministro se limitou a dizer que
o voto de Britto fora “brilhante”. Regimentalmente, ele teria 10 dias,
prorrogáveis por mais 10, para analisar o processo. Mas na prática ele
poderá reter o processo o tempo que desejar.
Sobre o mérito da questão, Ayres Britto reforçou seu posicionamento favorável à demarcação contínua.
“Só a demarcação pelo formato contínuo atende os
parâmetros da Constituição, para assegurar aos índios o direito de
reprodução física, de reprodução cultural, de manter seus usos,
costumes e tradições. A mutilação, com demarcação tipo queijo suíço,
fragmentada, inviabiliza os desígnios da Constituição.”
Os ministros do STF enfatizaram que cabe ao governo
federal, com suas forças policiais, manter a ordem e a segurança em
Roraima até o fim do julgamento.
|
|