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Brasília - O julgamento de uma
ação sobre a demarcação da Terra Indígena
Raposa Serra do Sol, em Roraima, é um fato histórico. A
afirmação foi feita hoje (27), pelo presidente da
Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio
Meira, pouco antes do início da sessão no Supremo
Tribunal Federal (STF).
“Vimos no Supremo Tribunal Federal um momento em
que as partes todas colocaram suas posições de uma
forma ampla, democrática, transparente”, afirmou Meira,
ressaltando a participação da advogada dos índios,
Joênia Batista de Carvalho, da etnia Wapichana. Joênia
também destacou a importância do julgamento e de sua
sustentação oral. “Tinha que ter a voz indígena”,
disse a advogada.
Confirmando o que já tinha afirmado na
tribuna do Supremo, Joênia reafirmou sua posição
favorável à demarcação contínua da
área, afirmando que não há proposta sobre a
existência de ilhas dentro da reserva. “O que já é
demarcado é de forma contínua, não existe forma
contínua e ilhas dentro, é totalmente contrário
às garantias constitucionais”, afirmou Joênia no
intervalo da sessão.
Márcio Meira concordou com a advogada,
dizendo que espera ver respeitado e preservado o direito dos povos
indígenas, "que é consagrado na Constituição
Federal." Segundo ele, assim será possível
continuar o trabalho que o país vem fazendo há muitos
anos, de demarcação, de homologação de
terras indígenas, que é "reconhecido inclusive
internacionalmente”.
O presidente da Funai considera prematuro dizer o
que vai ser feito depois do julgamento, especialmente na hipótese
de a demarcação contínua ser considerada
inconstitucional. Meira disse, no entanto, que está “confiante
na Justiça, no Supremo Tribunal Federal, que se pautará
pela Constituição”.
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