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Brasília - O superávit
primário (receita menos despesas, excluídos gastos com
juros) do setor público (União, estados, municípios
e empresas estatais) chegou a R$ 12,109 bilhões em julho,
acumulando no ano R$ 98,225 bilhões e R$ 120,254 bilhões
em 12 meses. Os resultados são os mais elevados para tais
períodos, segundo dados da série histórica do
Banco Central, iniciada em 1991.
De janeiro a julho, esse valor representa 6,01% do
Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços
produzidos no país. No mesmo período do ano passado, o
superávit primário foi de R$ 79,578 bilhões, ou
5,50% do PIB.
Em 12 meses, o superávit primário
representa 4,38% do PIB. A meta para o superávit primário
neste ano é de 3,8% do PIB, mas o governo se comprometeu a
fazer um esforço extra de 0,5%.
Nos sete primeiros meses do ano, o governo central
(governo federal, Banco Central e Previdência) contribuiu com
R$ 68,451 bilhões, o maior valor para o período. Os
governos regionais (estaduais e municipais) também registraram
o maior valor da série de janeiro a julho: R$ 22,063 bilhões.
Os governos estaduais bateram ainda recorde no período, com R$
20,101 bilhões. Os governos municipais contribuíram com
R$ 1,962 bilhões e as empresas estatais economizaram R$ 7,711
bilhões.
No acumulado do ano, o pagamento de juros da
dívida pública chegou a R$ 106,803 bilhões,
contra R$ 92,941 bilhões registrados no mesmo período
de 2007. O valor dos sete meses deste ano é o maior para o
período, assim como o pagamento de juros apenas no mês
de julho – R$ 18,777 bilhões.
De acordo com o chefe do Departamento Econômico
do Banco Central, Altamir Lopes, um dos motivos é o aumento
dos índices de inflação no mês passado.
“Tem uma maior incidência de índices de preços
tanto na composição da dívida, quanto do ponto
de vista da elevação desses índices, e tem
também apreciação cambial de 1,59% [ao longo
do mês]. Isso contribui para uma menor valorização
dos ativos indexados a câmbio.”
Em 12 meses, o pagamento de juros de R$ 173,394
bilhões é o mais elevado da série e representa
6,31% do PIB, o maior percentual desde outubro de 2007 (6,35%).
Nos sete meses do ano, as receitas menos despesas,
incluído o pagamento de juros, geraram déficit nominal
de R$ 8,578 bilhão, o valor mais baixo desde julho de 1993 (R$
1,547 bilhões). No mesmo período de 2007, as receitas
menores do que as despesas levaram a um déficit nominal de R$
13,363 bilhões.
No mês de julho, também foi
registrado déficit nominal de R$ 6,668 bilhões, o maior
valor desde julho de 2006 (R$ 7,840 bilhões). No mesmo mês
do ano passado o valor foi de R$ 6,184 bilhões do mesmo mês
do ano passado.
A relação entre dívida
líquida do setor público (União, estados,
municípios e empresas estatais) e Produto Interno Bruto (PIB),
soma de todos os bens e serviços produzidos no país,
foi de 40,6% em julho. Em maio, esse percentual estava em 40,4% do
PIB. Em valores, a dívida chegou a R$ 1,192 trilhão no
mês passado.
De acordo com Lopes, contribuição da
valorização do PIB, corrigido pelo Índice de
Preços de Mercado – Disponibilidade Interna (IGP-DI), foi
menor. Por isso, a relação entre dívida e PIB
foi maior. “Quando temos uma aceleração do índice,
esse PIB valorizado tende a crescer mais. À medida que tem uma
retração, o PIB cresce a uma taxa menor". Segundo
Lopes, a expectativa é de manutenção da relação
entre dívida e PIB em 40,6% neste mês.
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