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Brasília - A proposta que
determina as punições para crimes cometidos pela
internet poderá encarecer o acesso à rede
mundial de computadores e dificultar a realização de
projetos de inclusão digital do governo. A avaliação
é de um dos coordenadores do Projeto Casa Brasil, Everton
Rodrigues, que participou hoje (27) de debate sobre o tema, durante o
Congresso Internacional Sociedade e Governo Eletrônico (Consegi
2008).
Segundo Rodrigues, o projeto de lei, que já
foi aprovado pelo Senado, prevê que os provedores devem
guardar os dados sobre os acessos durante três anos e
encaminhá-los à Justiça quando solicitados. A
estrutura necessária para cumprir a determinação
deverá encarecer a conectividade e também criar um
monopólio dos grandes provedores.
“Quem vai ter condições de bancar
essa estrutura serão os grandes provedores, que vão
repassar o custo para seus usuários. Então, deveremos
ter no Brasil uma conectividade mais cara. Além disso, vai-se
criar um monopólio dos grandes provedores, e as redes
comunitárias, como os telecentros, não poderão
existir”, avalia.
Para Marcelo Branco, do Projeto Software Livre
Brasil, que também participou do debate, o projeto de lei
dificulta a inclusão digital no Brasil e viola os direitos
civis de privacidade dos usuários da internet. “Não
é papel dos telecentros, dos pontos de cultura ou da Casa
Brasil fazer a vigilância das pessoas que estão usando a
rede. Pelo contrário, temos que estimular esses usuários
da rede livremente”, defende.
Ele também critica a transferência de
práticas de vigilância para os agentes comunitários
que promovem a inclusão digital. “O projeto vem no sentido
de criminalizar e reprimir muitas das práticas sociais que
estão no centro dos programas de inclusão digital do
governo brasileiro.”
Branco lembra que a proposta é inspirada na
Convenção de Budapeste, que não foi ratificada
pelo Brasil. Segundo ele, o projeto que tramita no Congresso Nacional
contraria a política externa brasileira. Ele conta que um
manifesto contra a proposta já recebeu mais de 110 mil
assinaturas.
O projeto de lei foi aprovado pela Câmara
dos Deputados e pelo Senado, mas como os senadores fizeram
alterações, ele será apreciado novamente pela
Câmara. A proposta cria 13 categorias criminais e endurece a
pena para as infrações já existentes.
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