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Manaus - O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) quer mobilizar
governos e sociedade civil para que as crianças e os adolescentes da
Amazônia sejam prioridade na construção de políticas públicas
e participem do processo de preservação e desenvolvimento
sustentável da região. Para isso, a
representação do Unicef no Brasil realizou esta semana em Manaus o seminário Articulação da
Agenda Criança Amazônia, reunindo secretários estaduais, gestores
municipais e lideranças sociais do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão,
Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Segundo o representante adjunto do Unicef no Brasil, Manuel Buvinich, o encontro dá continuidade ao compromisso assumido pelos governadores presentes no 1º
Fórum dos Governadores da Amazônia Legal, realizado em Belém (PA) em maio. Na ocasião, o Unicef apresentou a Agenda Criança Amazônia, com proposta de compromissos.
Ao aderir a essa agenda, cada
município se compromete a melhorar, até 2012, indicadores sociais como
taxa de pobreza, mortalidade infantil e materna, desnutrição infantil,
registro civil, acesso ao pré-natal, gravidez na adolescência,
violência e trabalho infantil, incidência de aids e malária, acesso à
água potável, acesso e permanência na escola, entre outros. Ele
informou que as ações serão monitoradas pelo Unicef, mas que o
envolvimento do Poder Público é fundamental.
"Estamos
falando de todo um processo que só será possível se houver apoio dos
governos estaduais. O Unicef só poderá chegar aos municípios com apoio
desses governos e com apoio das instituições que trabalham na Amazônia.
O que o Unicef faz e continuará fazendo é articular, mobilizar, prover
assistências técnicas, tecnologias e monitorar o que está acontecendo",
declarou.
Dados
do Unicef e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a Amazônia apresenta graves desigualdades sociais. No que
se refere à taxa de mortalidade infantil, por exemplo, 25,8 crianças na Região Norte morrem antes de completar o primeiro ano de vida em cada
grupo de mil nascidas vivas, sendo que a média brasileira é de 24,9 e
da Região Sul é de 16,7. Quanto aos índices de
registro civil, vários estados amazônicos ainda concentram as piores
taxas, chegando a superar 40% em algumas regiões.
A
secretária executiva de Assistência Social do Amazonas, Graça Prola,
disse que o governo amazonense está comprometido com a ação, mas
reconheceu que a taxa de sub-registro precisa ser reduzida.
"Do
ponto de vista da saúde e da educação, nós estamos incentivando os
municípios para que, ao planejar seus orçamentos para o próximo ano, já
incluam ações que tenham a ver com a Agenda Criança Amazônia no sentido
de melhorar os indicadores. Nós, do governo do estado, estamos
contribuindo sobremaneira com a questão, por meio do nosso programa de
atendimento itinerante, principalmente na erradicação do sub-registro
civil de nascimento", garantiu.
Para
o representante da Secretaria de Saúde de Presidente Figueiredo (AM),
Pedro Dantas, a inciativa do Unicef irá promover a integração dos
órgãos estaduais e municipais e contribuir para o alcance das metas
estabelecidas na Agenda Criança Amazônia.
"O
que falta é desenvolver uma política integrada, com apoio das entidades
govenamentais. Em casos que envolvam a Justiça, por exemplo, as pessoas
terão apoio das secretarias de governo e do
próprio Poder Judiciário, podendo acompanhar os processos de inclusão
das necessidades familiares, resultando em uma eficácia muito maior na
resolução desses casos", considerou.
Representando
a Secretaria de Saúde Pública do Pará, a médica Sílvia Comarú também
participou do seminário. Ela ressaltou que existe grande expectativa
quanto à melhoria das condições de vida das crianças amazônicas e que
as ações precisam ser feitas de forma articulada e planejada para
melhorar os índices de desenvolvimento infantil.
"Apesar
das dimensões continentais do nosso estado, o trabalho proposto pelo
Unicef vai auxiliar o Pará na resolução de muitos problemas, como é o
caso da situação da Santa Casa de Belém", afirmou, lembrando o alto
índice de mortalidade infantil registrado no hospital de janeiro a
junho deste ano.
Ao
lado do Nordeste, a Amazônia tem hoje os piores indicadores sociais
brasileiros, apesar dos avanços nos últimos anos, de acordo com
levantamento realizado em 2006 pelo IBGE. Enquanto o nível de pobreza
das crianças e dos adolescentes – aqueles que vivem com famílias com
renda per capita de menos de meio salário mínimo mensal – é de 50% para o
Brasil, esse percentual sobe para 61% na Amazônia, chegando em alguns estados da região a superar 65%.
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