



|
Brasília - Em defesa da demarcação
contínua da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em
julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF ), o advogado
representante da comunidade indígena Socó Paulo
Machado Guimarães defendeu há pouco, no plenário da Corte, que o direito dos povos indígenas não podem ser cumpridos "pela metade". “Demarcações
em ilhas não existe. Ou se demarca por ato administrativo
correto, ou não se demarca. Não existe meio termo ao
respeito do direito constitucional dos povos indígenas”, argumentou.
Guimarães afirmou ainda que o procedimento administrativo, iniciado em 1977,
não prosseguia, porque há “fortes interesses econômicos,
políticos e de estados envolvidos”. O advogado também defendeu a validade do laudo antropológico
que determina a posse da terra aos índios. “É um trabalho
de perito, que na ciência social só tem uma pessoa que
possa fazer: o antropólogo. Ele é o único que
detém o conhecimento científico para isso. O estudo foi
feito e confirmou a presença da ocupação
tradicional”, explicou.
Em seguida, a advogada
e índia Joênia Batista de Carvalho, da etnia Wapichana, falou pelas
Comunidades Indígenas Barro, Maturuca, Jawari, Tamanduá,
Jacarezinho e Manalai. É a primeira vez que um índio sobe à tribuna para fazer uma sustentação oral na história do Supremo. “Estamos há mais de 30 anos esperando
a conclusão desse processo e, nesse tempo, 21 lideranças
indígenas foram assassinadas, várias ameaças
foram feitas e registradas pelas autoridades. Nós somos
acusados de invasores dentro da nossa própria terra,
discriminados e caluniados. Isso tem que ter um fim”, afirmou.
A advogada pediu que a
terra não seja retalhada em pedaços. Para ela, a
demarcação descontínua coloca em risco não
só a cultura dos povos indígenas, mas também a conservação ambiental da região. “Em maio o Ibama apresentou uma multa de mais de R$ 300 milhões
pelos impactos ambientais causados pelos arrozeiros. Mas eles
continuam plantando”, contestou.
|
|