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Brasília - O presidente do Senado,
Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), decidiu hoje (27) suspender por 45
dias a votação de qualquer medida provisória
encaminhada pela Câmara para apreciação da Casa.
A decisão foi
tomada depois de ouvir várias críticas por suas
declarações à imprensa sobre a paralisia do
Legislativo e o excesso de medidas provisórias. Os senadores
dizem que Garibaldi reclama, mas não toma uma providência.
O vice-líder do
PSDB, Álvaro Dias (PR), disse que a medida do presidente do
Senado era inócua, uma vez que já existe um calendário
acertado para a realização de esforços
concentrados durante o período eleitoral. Ele questionou ainda
o fato de o prazo de 45 dias vencer em 11 de outubro, quando as
medidas provisórias já sob análise só
passam a perder a validade a partir de 15 de outubro.
As críticas ao
senador Garibaldi Alves tiveram início com um discurso do
senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). O senador imputou ao presidente
do Senado o risco de vir a ser "o coveiro" da Casa caso não
devolvesse ao Executivo as medidas provisórias que já
estão na pauta, por considerá-las inconstitucionais,
uma vez que não atenderiam aos preceitos de relevância e
urgência.
O líder do PSDB,
Arthur Virgílio Neto (AM), por sua vez, criticou as
declarações feitas constantemente pelo presidente do
Senado sobre a paralisia do Legislativo. Ele entende que as
declarações induzem a população a culpar
os senadores pela não apreciação das matérias.
"Essas declarações
vão criar uma situação de ingovernabilidade na
Casa", advertiu o líder tucano.
O líder do DEM,
José Agripino Maia (RN), atribuiu a crise de credibilidade por
qual passa o Senado a "uma situação que vem de
fora para dentro".
O senador Cristovam
Buarque (PDT-DF) censurou a forma como Jereissati e Arthur Virgílio
criticaram o presidente o presidente do Senado. Mas concordou quanto
ao mérito do debate.
Cristovam é
relator da única medida provisória que Garibaldi admite
votar, a que reajusta os salários de cerca de 800 mil
servidores públicos federais.
A MP, segundo
Cristovam, tem 1.200 páginas e trata de 25 leis. "Me assusta a
análise de uma medida provisórias que trata de 25
leis", disse o pedetista, acrescentando que estava pronto para
ler seu parecer devido a relevância do assunto.
Cristovam advertiu, no
entanto, que "é preciso dar um basta no que está
acontecendo".
A líder do PT,
Ideli Salvatti (SC), lembrou que o Congresso Nacional tem o
instrumento próprio, a comissão mista, para analisar a
urgência e relevância das medidas provisórias. Mas
segundo a senadora, poucas vezes essa comissão foi instituída
e os deputados e senadores tratam da constitucionalidade da matéria
nos plenários da Câmara e do Senado.
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