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Brasília - O julgamento no Supremo Tribunal
Federal (STF) de ação que contesta a demarcação em faixa contínua da Terra
Indígena Raposa Serra do Sol, área de 1,7 milhão de hectares em
Roraima, recomeçou às 14h40. O relator, ministro Carlos Ayres Britto, já deu início à leitura de seu voto de 108 páginas, que deve durar cerca de duas horas.
Nas sessões de hoje (27) e amanhã (28), se não houver
pedido de vista, os ministros decidirão se será possível a permanência
de menos de uma dezena de grandes produtores de arroz e 50 famílias de
agricultores em parte da área onde vivem 18
mil índios das etnias Macuxi, Wapichana, Patamona, Ingaricó e Taurepang.
Ao longo da manhã, as partes interessadas fizeram
sustentações orais. Primeiro falaram os advogados que pediram a
anulação da demarcação concluída em 2005 pelo governo federal. O
ex-ministro do STF Francisco Rezek, na condição de representante do
governo de Roraima, disse que a demarcação não se baseou em aspectos
técnicos consistentes e foi decidida nos “corredores do Executivo”. Em
tom semelhante, se pronunciaram advogados dos produtores de arroz
que se negam a deixar a reserva e dos senadores autores da ação.
Em seguida, o advogado-geral da União, José Antonio
Dias Toffoli, sustentou que a demarcação da reserva em área contínua foi
feita pelo governo federal em respeito aos dispositivos constitucionais
que garantem aos índios o uso exclusivo para moradia de terras
tradicionalmente ocupadas. Toffoli também negou a existência de
qualquer risco à soberania nacional com a demarcação de terras
indígenas em áreas de fronteira.
A advogada e índia Joênia Batista de Carvalho, da
etnia Wapichana, pediu que a terra não seja retalhada, pois
isso prejudicaria a cultura dos povos e a preservação ambiental da
região. Ela falou pelas comunidades indígenas Barro, Maturuca, Jawari,
Tamanduá, Jacarezinho e Manala.
O Ministério Público Federal reiterou parecer
favorável à manutenção da demarcação em área contínua. Segundo o
procurador-geral da República, Antônio Fernando Souza, o laudo da
Fundação Nacional do Índio (Funai) que confirmou o reconhecimento da área
indígena “encontra respaldo em todos os momentos históricos e está
plenamente fundamentado”.
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