Elza Fiúza/ABr
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Brasília - O representante da Frente Parlamentar em Defesa da Vida, deputado Luiz Bassuna, discursa em audiência pública no Supremo Tribunal Federal para discutir a questão dos fetos com má formação ou ausência de cérebro - anencefalia
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Brasília - O deputado federal Luiz
Bassuma (PT-BA), presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Vida -
Contra o Aborto, afirmou hoje (28) que o aborto de feto com
anencefalia está ligado à prática da eutanásia.
“É eliminação
de uma vida que incomoda, que é cara e que é um
estorvo. Marcela de Jesus [bebê diagnosticado com
anencefalia que sobreviveu por um ano e oito meses] é um
caso emblemático, que veio derrubar a tese de que qualquer
anencéfalo sobrevive apenas por horas ou dias. Mas, hoje, se
tenta desqualificar o caso por razões que não consigo
entender. Ela não tinha cérebro”, afirmou o
parlamentar na segunda audiência pública no Supremo
Tribunal Federal (STF) para discutir a interrupção de
gravidez anencefálica.
De acordo com o
deputado, em relação às discussões sobre
o aborto, o Congresso Nacional “tem feito a sua parte” ao
rechaçar, por unanimidade, o Projeto de Lei 1135/01, que
descriminalizava a prática.
Ele questionou se os
avanços da medicina devem servir “para produzir a morte”
ou para intensificar as melhorias na qualidade de vida das pessoas?”.
“Não de deve
tornar flexível o direito à vida previsto na
Constituição. A ciência e os legisladores têm
que trabalhar à favor da vida. Deve haver apoio psicológico
e total àquela mãe que carrega, por alguns meses, um
bebê acometido por uma doença grave”, defendeu.
Lenise Aparecida
Martins, professora do Departamento de Biologia Molecular da
Universidade de Brasília (UnB) e presidente do Movimento
Nacional da Cidadania em Defesa da Vida – Brasil sem Aborto, disse
que os casos diagnosticados com anencefalia “não é
tudo ou nada”.
“A anencefalia
apresenta variedades. Cada anencéfalo apresenta a sua
anencefalia. Isso se mostra nas diferentes sobrevidas. Um por cento
dos anencéfalos sobrevive cerca de três meses e,
ocasionalmente, eles sobrevivem de sete a dez meses. Marcela foi
chamada de recordista, mas não é. Temos casos de
crianças no Brasil que sobreviveram por mais tempo”, disse.
Diante das
discordâncias entre médicos se a menina Marcela de fato
apresentava anencefalia ou se seria outro tipo de má-deformação
do cérebro, ela disse que mesmo com o exame de ressonância
magnética feito após o parto de Marcela, ainda não
há um consenso.
“Portanto, se seria possível ter
certeza do diagnóstico quando o feto ainda está dentro
do útero da mãe?”, perguntou, para em seguida
acrescentar, “não temos condições de dizer que
o anencéfalo não tem consciência. Eu nunca vi um
morto cerebral ter crise epiléptica, o que geralmente acontece
antes deles morrerem. Pode existir um certo grau de consciência,
que permite a interação com a mãe. Foge à
verdade dizer que a criança com anencefalia tem morte
encefálica. Ela só pode morrer porque está
viva”.
Para Lenise, a partir
do momento em que o STF abre “brechas” e afirma que “uma vida
fragilizada não merece viver”, o Judiciário questiona
o campo ético que rege a Constituição”.
“Aborto não
encerra problema psicológico nenhum”, disse a professora.