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28 de Agosto de 2008 - 18h13 - Última modificação em 28 de Agosto de 2008 - 18h19


Mudança contábil faz Banco Central sair de prejuízo para lucro no primeiro semestre

Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - A mudança no critério de contabilidade fez o Banco Central (BC) registrar lucro no primeiro semestre. Segundo o balanço contábil do banco, aprovado hoje (28) pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o BC fechou os seis primeiros meses do ano com resultado positivo de R$ 3,2 bilhões.

O número desconsidera os custos para o banco da administração das reservas internacionais e com as operações de swap cambial reverso (em que o BC, na prática, assume o prejuízo da queda do dólar). Se essas transações, que atingiram R$ 44,8 bilhões no período, fossem levadas em consideração na apuração do resultado, o banco teria tido prejuízo de R$ 41,6 bilhões.

A alteração na contabilidade foi determinada por uma medida provisória editada no final de junho. Pelas novas regras, os custos com as reservas cambiais e o swap cambial deixaram de ser incluídos nos resultados e passaram a ser acumulados todo o mês numa conta de ativos e passivos, cujo resultado é compensado pelo Tesouro Nacional a cada seis meses.

Com os novos critérios, o BC teria tido lucro de R$ 1,8 bilhão no segundo semestre do ano passado, em vez de prejuízo de R$ 17,2 bilhões. No primeiro semestre de 2007, a instituição teria registrado lucro de R$ 2,7 bilhões, em vez de perdas de R$ 30,3 bilhões.

O diretor de Administração do Banco Central, Antero Meirelles, negou que a mudança represente uma maquiagem no balanço da instituição. Segundo ele, os novos critérios de contabilidade eram necessários para separar os reflexos da variação das moedas estrangeiras sobre o resultado do banco.

"Antes, o resultado ficava ofuscado por causa da variação cambial. Agora, haverá mais transparência nas contas do banco e convergência com as normas internacionais”, argumentou. Ele acrescentou que os custos com as reservas internacionais e as operações de swap, que antes eram apresentados semestralmente, agora serão divulgados a cada mês nos balancetes do banco.

Atualmente, o BC possui 30% dos ativos vinculados a outras moedas, o que, segundo o diretor, interfere nos resultados contábeis da instituição. Dos R$ 857 bilhões de ativos do banco, R$ 359,5 bilhões são em moedas estrangeiras: “Como esses ativos cambiais oscilam bastante, o resultado do banco praticamente varia o mesmo que o dólar”.

De acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal, o lucro de R$ 3,2 bilhões será repassado ao Tesouro Nacional em até dez dias úteis.

Por meio das operações de swap cambial reverso, o Banco Central tenta conter a valorização do real. A instituição financeira aposta que os juros subirão mais que o dólar. Em contrapartida, os investidores apontam que a moeda norte-americana aumentará mais que os juros. Ao fim, as duas partes trocam os rendimentos. Num cenário de queda do dólar, a transação resulta em prejuízo para o BC.



 


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