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Brasília - Os jogos de Pequim já
foram encerrados, mas nas escolas do Brasil o clima olímpico
permanece. Na última semana, 18 milhões de alunos participaram da
Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas
(Obmep). O projeto é apenas um entre as várias
competições educacionais que se espalham pelo país.
Praticamente, há uma olimpíada escolar para cada área
do conhecimento. Entre as mais concorridas estão as Olimpíadas Brasileiras de Física, Astronomia, Química, Biologia,
Informática, Geografia e Língua Portuguesa.
Assim como os atletas
do esporte, os alunos passam por várias etapas de seleção
até a premiação com medalha de ouro, prata e
bronze para os melhores colocados. Em algumas edições, a premiação inclui bolsas de estudo, computadores e viagens. O objetivo, segundo as entidades
que organizam as competições, é estimular o
estudo, melhorar o aprendizado e descobrir talentos.
“O ser humano gosta
de competir. A gente não pode limitar a escola a isso, mas os
jogos também são espaços de aprendizado, de
respeito ao outro. A escola é o
espaço para mostrar que todos prosseguem, alguns em
matemática, outros em português, outros no esporte”,
avalia a secretária de Educação Básica
do Ministério da Educação (MEC), Maria do Pilar.
Para Pilar, a
competição é saudável, mas não
deve ser o foco principal desses concursos. “No caso da educação,
ela não pode ser uma disputa pura, precisa envolver o maior
número possível de alunos e a formação de
professores para causar uma reflexão sobre as prática em sala de aula”, defende.
A secretária
cita a Olimpíada da Língua Portuguesa, que envolve a
formação por dois anos dos professores participantes e oficinas de
literatura para os alunos, como um modelo da disputa que provoca essa
mudança no aprendizado. A competição é
organizada pelo MEC e a Fundação Itaú Cultural e cerca de 6 milhões de alunos participam da edição
de 2008. O tema dos textos, dividos nas categorias poesia, memória e prosa, é O Lugar onde Vivo.
“Em alguns modelos
você identifica o melhor aluno de matemática da turma,
mas e os outros 40 que não sabem? É importante a escola
descobrir quem tem um talento especial e incentivá-lo para que
ele não fique desmotivado. Mas outros colegas também
têm direito a aprender”, aafirma.
A melhoria da
aprendizagem é um dos resultados que essas competições
podem trazer. Segundo Pilar, o último Índice de
Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que
funciona como um termômetro da qualidade da educação,
já mostrou esses efeitos. “A gente já sentiu uma
melhora forte na matemática nos anos inciais do ensino
fundamental. Uma das explicações para isso é a
enorme adesão que existe hoje à Obmep que pode provocar melhor prática em sala de aula”, acrescenta.
Muitas competições, como a
Olimpíada Brasileira de Física (OBF), funcionam também como
etapas seletivas para concursos internacionais. Em
outubro, quatro estudantes brasileiros vencedores da edição
de 2007 da OBF participam no México da Olimpíada
Ibero-americana de Física. “Esse ano ganhamos uma medalha
de prata, bronze e duas menções honrosas na Olimpíada
Internacional de Física, em julho”, comemora o coordenador do projeto, Euclydes Júnior. Em 2008, cerca de 750 mil estão
participando da competição.
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