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28 de Agosto de 2008 - 21h52 - Última modificação em 28 de Agosto de 2008 - 21h52


Ditadura militar pode ter matado espanhol Miguel Nuet, diz procuradora

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

 
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São Paulo - O espanhol Miguel Sabat Nuet – cuja ossada foi identificada hoje (28) – pode ter sido preso e morto durante a ditadura militar, ao ser confundido como um terrorista, acredita a procuradora da República Eugenia Augusto Fávero. Segundo ele, no laudo de Nuet havia a identificação de uma letra T grafada em vermelho, que é, de acordo com ela, “típica dos terroristas”.

 Também foram encontradas, em sua bagagem, cartas “demonstrando sua preocupação de justiça social”, mas nada que pudesse comprovar qualquer ligação do espanhol com partidos políticos ou  movimentos de oposição à didatura militar. “Acho que ele foi preso quase que por equívoco”, disse a procuradora.

Segundo Ivan Seixas, ex-preso político e representante da Comissão dos Mortos e Desaparecidos Políticos, Nuet “foi mais um dos 'suicidados' ocorrido no prédio do antigo Dops [Departamento de Ordem Política e Social]”.

“Conseguimos levantar várias informações, mostrando que, obviamente, foi mais um assassinato que a repressão tinha cometido”, informou Seixas. 

De acordo com a procuradora, até o final do ano passado, a família de Nuet não tinha idéia de onde ele estava. Agora, com a comprovação de que as ossadas encontradas no cemitério de Perus, na zona norte de São Paulo, são realmente dele, a procuradora disse esperar “que o governo entregue os restos mortais à família para permitir um enterro digno”. Eugenia também disse esperar que seja aberto um inquérito para apurar as circunstâncias da morte de Nuet.



 


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