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31 de Agosto de 2008 - 14h19 - Última modificação em 31 de Agosto de 2008 - 16h20


Marinha terá que dominar projeto de submarino convencional antes de construir o nuclear

Alex Rodrigues
Repórter da Agência Brasil

 
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Valter Campanato/ABr
São Paulo - Com o domínio da produção de combustível e de reatores nucleares, a Marinha terá dado o primeiro passo para a construção do primeiro submarino nuclear brasileiro. Além de vontade política, faltará ao país se tornar capaz de projetar as embarcações convencionais
São Paulo - Com o domínio da produção de combustível e de reatores nucleares, a Marinha terá dado o primeiro passo para a construção do primeiro submarino nuclear brasileiro. Além de vontade política, faltará ao país se tornar capaz de projetar as embarcações convencionais
Brasília - O Programa Nuclear da Marinha - embora esteja associado ao eventual desenvolvimento do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear -  não resultará necessariamente na fabricação da embarcação. Ainda que o domínio de todo o ciclo de produção do urânio e a construção de um laboratório nuclear de geração de energia elétrica proporcionem as condições tecnológicas para isso, a embarcação ainda vai depender de decisão política. A informação consta de documentos divulgados pela Marinha com explicações sobre o programa.

Segundo o superintendente do Programa Nuclear, comandante Arthur Campos, há setores da sociedade que compartilham do interesse militar em construir o submarino, considerado essencial para países que, por razões diversas, não têm condições de exercer o pleno domínio de seu mar territorial, mas necessitam impedir que outras nações o façam.

“Entendemos que um submarino com propulsão nuclear é um dos recursos que o Brasil, com essa costa toda, precisa ter”, afirma Campos. “A cada dia que passa, as riquezas e o potencial do nosso mar territorial são comprovados e isso tem que ser protegido. O uso de submarinos é um dos recursos que garantem nossa soberania”, acrescenta.

Mais que depender da vontade política, antes de partir para a construção do submarino nuclear a Marinha terá que ser capaz de projetar e construir submarinos convencionais. Embora já os fabrique desde 1980, o Brasil ainda utiliza projetos alemães.

Na última sexta-feira (29), o ministro da Defesa, Nelson Jobim, adiantou que o destaque do Plano Estratégico de Defesa Nacional que será anunciado no próximo dia 7, Dia da Independência, será o investimento no submarino nuclear. Ele revelou que um acordo de R$ 1 bilhão será assinado com o governo francês em dezembro deste ano. O documento prevê a troca de tecnologia para fomentar a construção de cascos e sistemas eletrônicos para submarinos.   

A Marinha alega que o submarino nuclear é vital para defender as riquezas e os interesses nacionais, principalmente agora que o país reivindica à Organização das Nações Unidas (ONU) a extensão de suas águas jurisdicionais. Isso vai acrescentar 950 mil quilômetros quadrados ao território marítimo brasileiro, uma área equivalente quase à soma dos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

É para patrulhar essa imensa área oceânica de 4,5 milhões de quilômetros quadrados, cerca de 52% de todo o território terrestre brasileiro, que a Marinha precisa se reaparelhar por meio da construção, modernização ou aquisição não apenas de submarinos – sejam convencionais, sejam nucleares -, mas também de navios e helicópteros.

Somente o primeiro estágio desse reaparelhamento, considerado prioritário, está orçado em R$ 5,8 milhões a serem aplicados em sete anos. A expectativa é de que as metas traçadas no Programa de Reaparelhamento da Marinha, apresentado pelo Ministério da Defesa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho de 2007, sejam integradas ao Plano Estratégico Nacional de Defesa que deverá ser anunciado neste 7 de Setembro.

 


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