Valter Campanato/ABr
|
|
São Paulo - Com o domínio da produção de combustível e de reatores nucleares, a Marinha terá dado o primeiro passo para a construção do primeiro submarino nuclear brasileiro. Além de vontade política, faltará ao país se tornar capaz de projetar as embarcações convencionais
|
Brasília - O Programa Nuclear da Marinha - embora esteja associado
ao eventual desenvolvimento do primeiro submarino brasileiro com
propulsão nuclear - não resultará necessariamente na fabricação da embarcação. Ainda que o
domínio de todo o ciclo de produção do urânio
e a construção de um laboratório nuclear de
geração de energia elétrica proporcionem as
condições tecnológicas para isso, a embarcação
ainda vai depender de decisão política. A informação consta de documentos divulgados pela Marinha com explicações sobre o programa.
Segundo o
superintendente do Programa Nuclear, comandante Arthur
Campos, há setores da sociedade que compartilham do
interesse militar em construir o submarino, considerado essencial
para países que, por razões diversas, não têm
condições de exercer o pleno domínio de seu
mar territorial, mas necessitam impedir que outras nações
o façam.
“Entendemos que um
submarino com propulsão nuclear é um dos recursos que o
Brasil, com essa costa toda, precisa ter”, afirma Campos. “A cada
dia que passa, as riquezas e o potencial do nosso mar territorial são
comprovados e isso tem que ser protegido. O uso de submarinos é
um dos recursos que garantem nossa soberania”, acrescenta.
Mais que depender
da vontade política, antes de partir para a construção
do submarino nuclear a Marinha terá que ser capaz de projetar
e construir submarinos convencionais. Embora já os fabrique
desde 1980, o Brasil ainda utiliza projetos alemães.
Na última sexta-feira (29), o ministro
da Defesa, Nelson Jobim, adiantou que o destaque do Plano Estratégico
de Defesa Nacional que será anunciado no próximo dia 7,
Dia da Independência, será o investimento no submarino
nuclear. Ele revelou que um acordo de R$ 1 bilhão
será assinado com o governo francês em dezembro
deste ano. O documento prevê a troca de tecnologia para
fomentar a construção de cascos e sistemas
eletrônicos para submarinos.
A Marinha alega que o
submarino nuclear é vital para defender as riquezas e os
interesses nacionais, principalmente agora que o país
reivindica à Organização das Nações
Unidas (ONU) a extensão de suas águas
jurisdicionais. Isso vai acrescentar 950 mil quilômetros
quadrados ao território marítimo brasileiro, uma área
equivalente quase à soma dos estados de São Paulo,
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
É para patrulhar
essa imensa área oceânica de 4,5 milhões de
quilômetros quadrados, cerca de 52% de todo o território
terrestre brasileiro, que a Marinha precisa se reaparelhar por meio
da construção, modernização ou aquisição
não apenas de submarinos – sejam convencionais, sejam
nucleares -, mas também de navios e helicópteros.
Somente o primeiro
estágio desse reaparelhamento, considerado prioritário,
está orçado em R$ 5,8 milhões a serem aplicados
em sete anos. A expectativa é de que as metas traçadas
no Programa de Reaparelhamento da Marinha, apresentado pelo
Ministério da Defesa ao presidente Luiz Inácio Lula da
Silva em julho de 2007, sejam integradas ao Plano Estratégico
Nacional de Defesa que deverá ser anunciado neste 7 de
Setembro.