Valter Campanato/ABr
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São Paulo - Instalações do Centro Experimental de Aramar, na cidade de Iperó, a cerca de 130 quilômetros da capital paulista, local onde a Marinha desenvolve seu programa nuclear
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Brasília - Nos 22 anos em que a
Marinha vem desenvolvendo seu programa nuclear, no Centro
Experimental de Aramar (CEA), instalado na cidade de Iperó, a
cerca de 130 quilômetros da capital paulista, as condições
ambientais da região não sofreram qualquer alteração
significativa. A garantia é do químico Marcelo
Sartoratto, um dos responsáveis pelo Laboratório
Rádioecológico do CEA.
“Temos 20 anos de
monitoração e não existem alterações
significativas que alguém possa dizer que tenham sido causadas
pelas atividades do centro”, afirmou Sartoratto à Agência
Brasil.
De acordo com o
químico, todo o efluente líquido é tratado no
próprio local antes de ser descartado no Rio Ipanema. Já
os dejetos que contenham resíduos radioativos, como, por
exemplo, luvas, são acondicionados em tambores e guardados em
locais específicos.
“Antigamente, morria
um peixe a 200 quilômetros daqui e as pessoas achavam que a
responsabilidade era nossa, mesmo que o curso do rio venha de lá
para cá. Hoje não. Hoje a comunidade já aceita
nosso trabalho”, diz Sartoratto.
O químico
explica que há cerca de 120 pontos de coleta de amostras de
solo, água e vegetação distribuídos por
um raio de 20 quilômetros de área sob influência
das atividades do CEA.
De acordo com
Sartoratto, os resultados das análises laboratoriais dessas
amostras são frequentemente comparadas com os dados do
relatório elaborado por técnicos da Companhia de
Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e da Comissão
Nacional de Energia Nuclear (Cenen) antes que o CEA começasse
a operar, em 1986.
“Montamos um
relatório que os órgãos de fiscalização
comparam com as condições originais. Através
disso podemos garantir que nossa atividade está sendo feita
com segurança e sem agredir o meio ambiente”, afirma
Sartoratto.
De acordo com ele, os
técnicos da Cenen visitam o local anualmente para coletar
amostras de alguns dos 120 pontos. Essas amostras são então
comparadas aos resultados divulgados pelo laboratório.
A maior prova de que as
operações do CEA não afetam o meio ambiente,
segundo o químico, é que a água utilizada para
consumo do pessoal que trabalha no centro é captada após
o ponto onde os efluentes líquidos do CEA são jogados
no rio.
“Isso é uma
garantia a mais de que não jogamos nada que prejudique a
qualidade da água”, afirma.
Mesmo garantindo a
eficiência dos programas de controle ambiental do CEA,
Sartoratto diz que as análises laboratoriais feitas pelo
Laboratório Rádio-Ecológico às vezes
fazem soar o alerta. Mas segundo ele, quase sempre a razão não
são as atividades militares.
“Existem outras
indústrias na região e em alguns momentos nós
constatamos uma concentração alta de poluentes.
Checando o que estava acontecendo, constatamos que o ponto onde
aquela amostra havia sido coletada ficava perto de um curtume que
estava jogando seus dejetos sem qualquer tratamento no rio”,
explica o químico.