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29 de Agosto de 2008 - 18h31 - Última modificação em 29 de Agosto de 2008 - 18h31


Comissão da Anistia julga pedidos de indenização

Lourenço Canuto
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - A Comissão da Anistia, do Ministério da Justiça está analisando hoje (29) 14 processos em que familiares de perseguidos políticos banidos do país durante a ditadura militar, nas décadas de 60 e 70, reivindicam indenização pelas suas mortes ou desaparecimento. A comissão está reunida no campus da Universidade de Brasília (UnB), que há 40 anos foi invadida por forças militares. Até agora, já foram tomadas decisões em relação a três requerimentos.

Foram concluídos os processos sobre Aderbal Alves Coqueiro (post-mortem), Marco Antônio Maranhão da Costa e Luiz Alberto Leite Sanz. A família de Coqueiro vai receber  R$ 2,692 mil por mês por causa de sua morte e R$ 295,536 mil a título retroativo. Para Marco Antônio Maranhão foi arbitrada a soma  de R$ 100 mil de indenização e para Luiz Alberto Leite Sanz R$ 3,281 mil por mês e retroativo de cerca de R$ 400 mil.

Aderbal Alves Coqueiro era metalúrgico em São Paulo e  foi o primeiro banido político do Brasil a ser assassinado pela ditadura militar. Ele foi expulso do país em 1970 e, ao voltar clandestinamento da Argélia, em 1971, foi morto pela repressão.  Sua viúva, Isaura Coqueiro, disse, emocionada, que depois que seu marido saiu do país nunca mais o viu.

O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, disse que a reunião na sede da UnB ocorre a propósito do movimento de "resistência à ditadura por parte dos estudantes e da invasão da universidade, que tem seqüelas até hoje". Ele lembrou que o então presidente da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília foi preso pelos militares em 1968 e não se teve mais notícias dele após 1973. Paulo Abrão destaca que "os banidos têm uma história muito rica. Foram apátridas que tiveram imensa dificuldade em retomar suas vidas".

O reitor da Universidade de Brasília, Roberto Aguiar, que foi conselheiro da comissão durante cinco anos, destacou a importância do trabalho  que ela realiza, argumentando que  "uma das formas de dominação do povo é não permitir que ele conheça sua memória".



 


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