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Brasília - A legislação
eleitoral determina que os partidos reservem uma cota 30% das candidaturas para as mulheres, mas as legendas não investem em
políticas de incentivo à participação
feminina nas eleições. A avaliação é
da secretária nacional de Mulheres do PT, Laisy Morière.
Ela afirma que no PT a
participação feminina na disputa eleitoral municipal
caiu cerca 0,5% em relação a 2004. A diminuição
não foi só no partido, e o motivo, segundo a
secretária, é a falta de políticas específicas
para incentivar as mulheres a participarem das eleições.
“Apesar de elas serem
a maioria da população, não existe uma política
específica de formação para essas mulheres. Como
o jogo eleitoral é muito concorrido e também um espaço
extremamente masculino, as mulheres, às vezes, não se
sentem à vontade no jogo eleitoral”, argumenta.
De acordo com Laisy
Morière, o jogo eleitoral “é de quem tem dinheiro,
tem força, e então muitas vezes as mulheres preferem
não ir para a disputa”.
Ela reforça que
não falta interesse feminino pela política ou pelo
processo eleitoral. O que há, na sua opinião, é
falta de estímulo.
“Acredito que há
falta de investimento dos partidos para que as mulheres passem a ser
protagonistas do processo eleitoral. Elas são protagonistas do
processo político. Hoje, se formos analisar, em todos os
espaços do Brasil existem mulheres, mesmo que a duras penas”,
afirma.
Para Laisy Morière,
a pequena participação das mulheres nas eleições
se deve ao fato de que os partidos não são punidos por
descumprirem a cota prevista em lei.
“O partido não
cumpre os 30% e não tem problema nenhum. Ele não pode
preencher as vagas com homens, mas isso não é sanção”,
reclama.
“Se existisse punição
para quem não cumprisse a cota, garanto que o percentual seria
cumprido e os partidos passariam a investir mais em mulheres”,
acrescenta.
Laisy Molière
citou exemplos de outros países, como a Argentina, que utiliza
a cota para as mulheres no número de vagas no Parlamento e não
para o preenchimento de candidaturas.
“Se o partido tem dez
vagas no parlamento, três delas têm que ser destinadas à
mulheres. Aí, efetivamente, a cota existe. No Parlamento
argentino, as mulheres somam 36%”, disse.
Ela reforça a
importância da participação feminina no processo
eleitoral, “principalmente porque é nas Casas Legislativas
que se aprovam as leis que vão reger a sociedade, nossas
vidas. Por isso, é importantíssimo que as mulheres
estejam lá e, para isso, é preciso participar do
processo eleitoral”, acentua.
A secretária
reconhece que o processo político-eleitoral é difícil,
“mas as mulheres precisam se filiar aos partidos, participar das
disputas internas para, posteriormente, lutar por uma vaga na corrida
eleitoral”.
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