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30 de Agosto de 2008 - 10h02 -
Última modificação
em 30 de Agosto de 2008 - 10h54
Crescimento econômico não se sustenta sem vigorosa política de inclusão social, diz Patrus
Mariana Jungmann e Ivanir José Bortot
Repórteres da Agência Brasil
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Elza Fiuza/ABr
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Brasília - O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, diz, em entrevista à Agência Brasil, que é preciso construir "o estado do bem-estar social" usando a experiência dos países mais desenvolvidos
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Brasília - As políticas sociais de combate à fome e de geração de renda do
governo federal devem ser ainda mais incrementadas, mesmo em um cenário
de maior crescimento econômico esperado para o Brasil. Para o ministro
do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, é preciso construir “o estado do bem-estar social” usando a experiência dos países mais
desenvolvidos do mundo, que têm os melhores indicadores sociais por
possuir elevado investimento na área social.
Patrus Ananias acredita que aos poucos,
diante da consolidação do atual quadro de geração de emprego e renda,
programas como o Bolsa Família passariam a complementar a renda e não seriam mais a única garantia de sustento às pessoas carentes. “A experiência histórica mostra que o
crescimento econômico não se sustenta sem vigorosas políticas de
inclusão social. No Brasil, estamos vivendo uma experiência do encontro
do desenvolvimento econômico e social”, disse o ministro.
O orçamento do Ministério do
Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) para 2008 prevê recursos da ordem de R$
20,5 bilhões, dos quais R$ 10,5 bilhões serão aplicado no atendimento a
11 milhões de pessoas beneficiadas pela Bolsa Família. Ananias lembrou
que há, ainda, uma dimensão econômica da aplicação desses recursos
públicos no desenvolvimento social. “As pesquisas mostram um grande
impacto dos nossos programas sociais nas economias regionais”, disse
ele.
A incorporação deste segmento da população ao consumo de alimentos básicos, de roupa, e até mesmo de alguns
utensílios domésticos está ajudando a fortalecer um mercado novo que estimula a produção e a atividade econômica.
Desde que foi criado o Bolsa Família,
cerca de 2,3 milhões de pessoas deixaram de participar do programa por
atingir um padrão de renda melhor. Atualmente, o MDS está promovendo um
programa de capacitação de 180 mil pessoas para atender à demanda do
setor da construção civil, e que serão desvinculadas do programa mais adiante. Para o ministro, na medida em que o trabalho for mais
valorizado no Brasil, haverá uma melhora nas condições de vida de parte
da população.
“Um programa como o Bolsa Família - é
claro que em uma perspectiva no futuro, certamente mais reduzido, terá
sempre presença no país”, disse Ananias. Segundo ele, até nas
sociedades mais desenvolvidas do ponto de vista social , sempre
haverá pessoas, como indígenas, remanescentes de quilombos e
populações de ruas que, por circunstâncias momentâneas ou duradouras,
vão precisar de políticas de proteção e promoção social de
transferência de renda.
Mesmo que no futuro o Bolsa Família
tenha um número menor de pessoas, o esforço do governo será o de elevar
os benefícios daqueles que ficaram no programa. “Há uma discussão se
o Estado deve ou não ter renda mínima para aquelas famílias e
comunidades que recebam menos. Eu vi na Áustria: quem é considerado
pobre lá, aqui seria classe média. O corte de renda é
alto. Quem ganha menos do que isso, recebe ajuda”, afirmou o ministro.
Os paises escandinavos (Suécia, Dinamarca,
Noruega) mais o Canadá, Austrália, Nova Zelândia e países europeus,
com os melhores indicadores sociais são aqueles, segundo o ministro,
que mais investem no social. A Suécia investe mais de 30% do seu
Produto Interno Bruto (PIB).
Para Ananias, a política de renda mínima - a
exemplo do que é feito nos países desenvolvidos- é uma decisão que
terá que ser tomada mais adiante, uma vez que o governo hoje está cuidando
da necessidade mais imediata da população, que é a alimentação. “Não
considero para todos uma política de renda mínima. É uma discussão
para frente. Na medida em que formos elevando os níveis de benefícios das
pessoas, podemos aumentar o valor do corte de entrada. Não estou dizendo
que vai ser feito isso, mas é uma alternativa no cenário com o qual nos
trabalhamos. O que estes países desenvolvidos socialmente estão
fazendo? É exatamente isso. Eles vão ampliando e acompanhando as
pessoas. Os mais pobres estão sempre recebendo atenção do Estado”,
disse.
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