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São Paulo - A Polícia Civil
de São Paulo, em ação conjunta com as
Secretárias de Saúde e de Segurança Pública,
desmantelou hoje (1) um esquema que, segundo dados preliminares da
investigação, desviaram cerca de R$ 63 milhões
do governo do estado.
De acordo com a
polícia, nove pessoas foram presas acusadas de formação
de quadrilha, falsidade ideológica, falsificação
de laudos médicos e perigo à saúde e a vida de
outrem. Entre os presos estão uma advogada, um médico e
administradores de uma organização não-governamental.
Eles ajuizaram 15 ações
cíveis contra o estado de São Paulo pleiteando a compra
de remédios para o tratamento de psoríase, doença
crônica não contagiosa, que provoca manchas vermelhas na
pele.
“Esta investigação
é a ponta de um barbante. Vamos continuar apurando para
desatar este nó”, disse o governador de São Paulo,
José Serra.
De acordo com o
governador, é possível que hajam outras fraudes
semelhantes a da quadrilha em todo o estado, e até mesmo no
país.
“As pessoas se
aproveitam da facilidade prevista na Constituição para
dar golpes no dinheiro do contribuinte”, disse.
De acordo com a Polícia
Civil, as pessoas com a doença procuravam a Associação
dos Portadores de Vitiligo e Psoríase do Estado de São
Paulo, com sede em Marília, interior do estado, que
encaminhava para um médico, que falsificava um laudo para
pedir remédios que não estavam na lista do Sistema
Único de Saúde (SUS).
A partir daí, um
advogado ajuizava uma ação contra o estado pedindo o
pagamento do remédio, que custa R$ 5 mil por paciente.
“Quem ganhava com
isso eram os três laboratórios, que vendiam o remédio
para o estado”, disse Alexandre Zakir, delegado que conduziu o
caso.
Além do médico
e dos dois advogados, foram presos ainda três representantes
comerciais dos laboratórios Wyeth, Mantecorp e Serono e duas
diretoras da ONG.
“Os pacientes, o
estado e a Justiça são vítimas desta quadrilha,
que agiu de má-fé baseada em um princípio
constitucional”, disse o secretário de Saúde do
Estado de São Paulo, Luiz Roberto Barradas Barata.
Os 15 pacientes que
tomaram a medicação passarão por uma junta
médica para reavaliar o tratamento.
“Aos poucos eles
estão sendo avisados que foram lesados”, disse o secretário
de Saúde.
Segundo apurou as
investigações, dos 15 pacientes, três não
tinham doença alguma, e desenvolveram pneumonia pela ingestão
indevida das drogas.
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