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1 de Setembro de 2008 - 16h42 - Última modificação em 1 de Setembro de 2008 - 16h42


Demóstenes vai pedir a Lula providências sobre os grampos telefônicos

Iolando Lourenço
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O senador Demóstenes Torres (DEM-GO), disse que vai pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que tome providências “duras” contra a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) pelos grampos telefônicos envolvendo ele, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, além de ministros e senadores.

“O presidente Lula tem que tomar uma decisão dura contra a Abin até para escoimar qualquer tipo de dúvidas que existam sobre a interferência dele [no caso]. Eu não tenho dúvida que o presidente da República não tem participação nisso. Ele não iria mandar grampear a candidata dele à Presidência da República e o próprio candidato dele à presidência do Senado [Tião Viana]”, disse hoje (1º) o senador, pouco antes de deixar o Senado para uma reunião com o presidente Lula agora à tarde.

Para ele, a Abin teria que ser "enquadrada". “Acho que alguém tem que cair. Se foi o ministro da Justiça, o responsável como imputam alguns, tem que ser ele. Se for o general Félix [general Armando Félix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência], tem que ser ele, se for o Paulo Lacerda [diretor-geral da Abin], tem que ser ele e, se for funcionários querendo boicotar o Lacerda que se afastem 10 ou 50, porque alguma medida tem que ser tomada”.

Torres disse que o grampo, denunciado pela imprensa, foi “uma canalhice, um ato bandoleiro, mas é muito mais que isso, é um atentado ao estado democrático de direito”. Segundo ele, a Abin é encarregada de fazer um serviço de inteligência “essencial para o país”, investigando focos de guerrilha, questões de fronteiras e narcotráfico  e  “isso é desviado sistematicamente, porque são várias as notícias”.   

O senador também defendeu a reativação da Comissão Mista de Controle dos Serviços de Inteligência do Congresso Nacional. Na sua opinião, deve ser feita uma varredura no Senado federal e no STF para averiguar se há escutas clandestinas nas linhas de telefone dos dois órgãos. “Mas tem que fazer principalmente varredura no cérebro desses agentes da Abin, porque, ao invés de ação de inteligência, foi ação de burrice”.

Para o senador, é preciso deixar que o presidente Lula tome providências. “Não vejo porque ele vai se omitir num caso tão grave como esse. Eu confio na atuação dele”. O senador disse que a providência é do presidente Lula, porque o gabinete é ligado a ele. "Vivemos num regime democrático, mas há um e Estado totalitário dentro de um Estado democrático. Temos que enquadrar esse Estado totalitário e o presidente da República está com as algemas na mão. Ele tem que usá-las agora e bem”, afirmou.

 



 


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