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Brasília - As possíveis escutas ilegais feitas pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) são resultado da falta de controle sobre esse órgão. A avaliação é do diretor executivo da organização não-governamental (ONG) Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo, em entrevista à Rádio Nacional.
A Abin é
suspeita de ter realizado escutas no gabinete do presidente do
Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, e de outras
autoridades, segundo reportagem publicada pela edição
desta semana da revista Veja.
“Fica evidente que
não há uma submissão desse organismo a uma
supervisão que seja externa à comunidade. Isso pode ser
muito perigoso para as instituições porque ela [Abin] é
um órgão de informação que pode usar das suas
prerrogativas para ficar perturbando a vida das pessoas”, avalia.
Para Abramo, o controle
deveria ser feito pelo Congresso Nacional e não pelo Poder Executivo, já que é o próprio presidente que
indica o chefe da Agência. “As atividades de uma agência
de coleta de informações, por definição,
não são transparentes, mas precisam ser submetidas a
limitações”, afirma.
Segundo o diretor da
ONG, as atividades de inteligência em outros países,
como Estados Unidos, França e Inglaterra, não são
controladas pelo Executivo. “Nunca se sabe se o controle é
100% efetivo, mas se um jogo de futebol não tem juiz, não
vai dar certo”, compara.
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