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Brasília - A
presença do segundo homem na linha de direção da
Agência Brasileira de Inteligência (Abin), José
Milton Campana, causou incômodo aos deputados membros da
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas
Telefônicas Clandestinas da Câmara hoje (2), durante o
depoimento do ministro-chefe do Gabinete de Segurança
Institucional da Presidência da República, general Jorge
Armando Félix.
Campana está
entre os diretores da cúpula da Abin afastados pelo presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, devido à suspeita de que o
órgão teria realizado escutas clandestinas, que
atingiram o telefone do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),
ministro Gilmar Mendes. Campana
foi obrigado a deixar o plenário da CPI. Uma das vozes que se
insurgiu contra a presença de Campana no plenário da comissão foi a do deputado
Arnaldo Faria de Sá (DEM-SP). O deputado argumentou que Campana não
deveria ouvir as informações que seriam prestadas pelo
general Félix à comissão.
A
CPI pretende ouvir, ainda hoje, o depoimento de Campana e, para isso,
aprovou um requerimento de convocação do diretor
afastado da Abin como testemunha. Outro requerimento aprovado prevê
o depoimento da jornalista Andréa Michael, do jornal Folha
de S. Paulo, amanhã (3),
na parte da tarde. A Polícia Federal chegou a pedir a prisão
da jornalista, negada pelo juiz federal Fausto Martin De Sanctis, sob a
suspeita de que ela teria publicado reportagem, que teria
prejudicado as investigações sobre o esquema, que seria
liderado pelo banqueiro Daniel Dantas, objeto da Operação
Satiagraha.
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