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Brasília - O Ministério da
Justiça irá enviar à Casa Civil até
a próxima quinta-feira (4) um conjunto de propostas de projetos de lei para aumentar a
responsabilização de quem usa escutas indevidamente no
país, sejam agentes públicos ou privados. A informação
foi dada hoje (2) pelo ministro da Justiça, Tarso Genro.
“O que nós
queremos é proporcionar um controle maior sobre a conduta do
agente público e um desestímulo a sujeitos privados que
queiram manipular meios de comunicação modernos que
violem a intimidade das pessoas e permitam obter informações
ilegais”, afirmou o ministro.
Segundo ele, os
projetos vão definir melhor e aumentar a responsabilidade
administrativa e penal do agente público que desvia sua
conduta funcional e faz escutas ilegais ou permite o vazamento de
informações. A proposta também deve definir e
aumentar a responsabilização penal de quem não é
agente do Estado e viola a intimidade das pessoas.
De acordo com o
ministro, o projeto também prevê que quem recebe
informações oriundas de escutas clandestinas terá
o mesmo grau de responsabilização de quem realiza a
escuta.
Tarso afirmou que recebeu
orientação do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva para que a proposta seja elaborada com rapidez. A nota oficial
que determinou o afastamento da cúpula da Agência
Brasileira de Inteligência (Abin) também determinou que
o Ministério da Justiça elabore um projeto para
aumentar a responsabilização pelo uso de escutas
ilegais.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) também deverá elaborar
uma normatização para reduzir o número de pedidos de escutas legais
feitos pelo poder Judiciário. Segundo o ministro, essa é uma preocupação
manifestada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro
Gilmar Mendes.
De acordo com Tarso, a mudança também é interesse da Polícia Federal. “A
escuta é importante, mas a sua vulgarização e exacerbação fazem decair
os outros meios de investigação da Polícia Federal, que são
extremamente importantes também, às vezes mais importantes que a
escuta”, alegou.
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