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Brasília - O presidente do Senado,
Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), determinou hoje (2) que a Polícia
do Senado comece a investigar se há grampos telefônicos
na Casa. Os agentes vão analisar se as conversas gravadas
entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar
Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), partiram de
algum telefone do Senado.
A crise aberta com a
denúncia de grampos em telefones de diversas autoridades causa
tensão no Congresso Nacional. O general Jorge Armando Félix,
que comanda o Gabinete de Segurança Institucional, o GSI, será
ouvido hoje pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das
Escutas Telefônicas Clandestinas. Ele dará explicações
sobre as denúncias dos grampos que teriam sido feitos pela
Agência Brasileira de Inteligência (Abin), órgão
subordinado ao GSI.
O presidente da CPI,
deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), disse esperar que o general
explique porque o chefe da Abin, Paulo Lacerda, foi afastado ontem
(1º) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão
vale até que o caso seja esclarecido.
"O general é
o chefe do chefe da Abin. Quero saber a razão do afastamento,
de que forma o general foi informado dos procedimentos, se a Abin tem
equipamentos para a realização de grampos", disse.
"Quero saber se houve ordem para a colocação das
interceptações telefônicas, a mando de quem, se a
chefia tinha conhecimento e que medidas foram tomadas para coibir
esses grampos", completou.
O afastamento de Paulo
Lacerda foi comentado por alguns parlamentares. O líder do PT,
deputado Maurício Rands (PE), disse que a decisão
tomada pelo presidente Lula foi acertada. "Ele agiu
corretamente. Foi claro e rápido na sua decisão de
dizer que não concorda com qualquer excesso", disse.
O vice-líder do
DEM, José Carlos Aleluia (BA), defendeu o afastamento,
inclusive, do general Félix. "Ele é fraco deveria
ter dito ao presidente o que estava acontecendo. Se ele não
sabia, é incompetência", comentou.
Com a crise, alguns
parlamentares defendem a abertura de uma CPI exclusiva para o
assunto, à despeito da CPI das Escutas Telefônicas
Clandestinas já existente na Câmara. Maurício
Rands (PT-PE), no entanto, rechaçou a idéia. "Isso
me parece uma perda de agenda. Propor uma CPI, quando já tem
uma, me parece que é estar desconectado com os problemas da
agenda brasileira", disse.
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