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3 de Setembro de 2008 - 20h28 - Última modificação em 3 de Setembro de 2008 - 20h28


Comissão Pastoral da Terra denuncia impactos sociais da soja na Amazônia

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Muito além de impactos ambientais, o cultivo de soja na Amazônia tem provocado conflitos sociais e fundiários na região, inclusive com a expulsão de famílias nativas. A conclusão é do relatório Os Impactos Sociais da Soja, produzido pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), que desde 2005 acompanha a expansão do cultivo do grão em três áreas do Pará.

O relatório cita a transformação de estradas comunitárias em propriedades particulares e a dispersão de agrotóxicos utilizados no plantio da soja com prejuízo à saúde de moradores vizinhos às plantações.


De acordo com o documento, a discussão sobre o avanço da soja com “viés puramente ambientalista”, conduzida por organizações ambientalistas deixou de lado os impactos socioeconômicos da monocultura do grão sobre as populações da região.

“A moratória da soja, que foi tão divulgada, não passou de propaganda. Serviu apenas aos interesses dos representantes da soja que precisavam de um marketing junto aos consumidores da Europa que ameaçavam boicotar produtos ligados à soja da Amazônia”, aponta o relatório.

Com a moratória, assinada em 2006 e renovada em junho deste ano
, compradores responsáveis por 94% da soja comercializada pelo país se comprometeram a não comprar grãos produzidos em áreas desmatadas.

“Nos últimos dois anos [primeiro período de vigência da moratória], a soja continuou sendo plantada pelos mesmos produtores que descumpriram regras ambientais e fundiárias”, denuncia o documento.

Segundo a CPT, o avanço da soja floresta adentro resultou na “expulsão” direta ou indireta de populações para dar lugar aos campos de soja. Nove comunidades dos municípios de Santarém e Belterra já desapareceram e outras 31 tiveram a população diminuída.

 


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