



|
Brasília - Muito
além de impactos ambientais, o cultivo de soja na Amazônia
tem provocado conflitos sociais e fundiários na região,
inclusive com a expulsão de famílias nativas. A
conclusão é do relatório Os Impactos Sociais
da Soja, produzido pela Comissão Pastoral da Terra (CPT),
que desde 2005 acompanha a expansão do cultivo do grão
em três áreas do Pará.
O
relatório cita a transformação de estradas
comunitárias em propriedades particulares e a dispersão
de agrotóxicos utilizados no plantio da soja com prejuízo à saúde de moradores vizinhos às plantações.
De acordo
com o documento, a discussão sobre o avanço da soja com
“viés puramente ambientalista”, conduzida por organizações
ambientalistas deixou de lado os impactos socioeconômicos da
monocultura do grão sobre as populações da
região.
“A moratória da soja, que foi tão
divulgada, não passou de propaganda. Serviu apenas aos
interesses dos representantes da soja que precisavam de um marketing
junto aos consumidores da Europa que ameaçavam boicotar
produtos ligados à soja da Amazônia”, aponta o
relatório.
Com a
moratória, assinada em 2006 e renovada em junho deste ano,
compradores responsáveis por 94% da soja comercializada pelo
país se comprometeram a não comprar grãos produzidos em
áreas desmatadas.
“Nos
últimos dois anos [primeiro período de vigência
da moratória], a soja continuou sendo plantada pelos
mesmos produtores que descumpriram regras ambientais e fundiárias”,
denuncia o documento.
Segundo a
CPT, o avanço da soja floresta adentro resultou na “expulsão”
direta ou indireta de populações para dar lugar aos
campos de soja. Nove comunidades dos municípios de Santarém
e Belterra já desapareceram e outras 31 tiveram a população
diminuída.
|
|