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3 de Setembro de 2008 - 20h29 - Última modificação em 3 de Setembro de 2008 - 20h29


Condepe deve pedir afastamento de policiais acusados de obter confissão sob tortura

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

 
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São Paulo - O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) informou hoje (03) à Agência Brasil que pretende protocolar amanhã (4) um pedido de afastamento imediato dos policiais acusados de ter torturado três rapazes para que confessassem o assassinato de Vanessa Batista de Freitas, em Guarulhos (SP). Segundo o secretário-geral do órgão, Ariel de Castro Alves, “o mais provável é que tenha ocorrido [tortura]”.

“Pessoas inocentes são torturadas e obrigadas a confessar crimes que não cometeram. Isso infelizmente ocorre bastante dentro da atuação policial”, disse ele.

Alves disse que, comprovados os crimes de tortura e de abuso de autoridade, os policiais envolvidos precisam ser responsabilizados. “Não podemos falar em erro nesse caso. Podemos falar em crime”, afirmou.

O secretário também lembrou que esses três homens acusados de terem cometido o crime, assumido na semana passada por Leandro Basílio Rodrigues, correram até risco de vida na cadeia. “Como eles foram acusados de violência sexual, estupro e morte de uma moça, eles corriam risco de ser abusados sexualmente na cadeia e de ser assassinados”, disse. “O Estado, com certeza, vai ter que indenizar essas pessoas”, afirmou Alves.

O advogado Augusto Tolentino, que defende os três homens que foram presos pelo crime que afirmam não ter cometido, disse hoje à Agência Brasil que acredita que houve erro do Judiciário no caso.

“Eles foram presos num flagrante armado, que foi relaxado pela Justiça, porém eles pediram a prisão temporária. No trigésimo dia, o delegado Antonio Carlos Cavalcanti relatou que não havia contra eles uma única prova que pudesse representar a continuação da prisão deles. Mas o promotor de Justiça pediu a preventiva e o juiz deu, num erro do Judiciário brutal”, explicou.

O advogado disse que seus clientes, soltos hoje, relataram que foram torturados para confessar o crime. “Eles fizeram exame de corpo de delito [na época], mas avisaram para eles que se reclamassem de uma dor-de-dente, morreriam”, afirmou.

“O Ministério Público ter reconhecido o erro já é uma prova cabal para que o estado indenize essa injustiça absurda e esse erro do Judiciário grosseiro”, revelou.



 


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