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Brasília - O desvio de recursos do
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES),
apontado na Operação Santa Tereza, realizada pela
Polícia Federal no primeiro semestre deste ano, não ocorreu dentro da instituição, mas pode ter sido feito sob a responsabilidade dos contratantes, segundo
exposição feita hoje (03) na Câmara
Federal pelo diretor de Crédito e Inclusão Social da
instituição, Elvio Lima Gaspar.
Ele
defendeu o BNDES, exemplificando que "uma verba proveniente do
Orçamento da União que sofrer malversação
na ponta, não significa que foi desviada do orçamento".
Com esse argumento, Gaspar nega o envolvimento do banco nas irregularidades
encontradas pela Polícia federal. Trata-se de
empréstimos feitos à prefeitura de Praia Grande (SP) e
às Lojas Marisa, que teriam sofrido desvios, inclusive com
a apresentação de notas frias e participação
do crime organizado.
A Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara
ouviu o diretor do BNDES, arrolado como testemunha do deputado Paulo
Pereira da Silva (PDT-SP) , o Paulinho da Força Sindical,
acusado na Operação Santa Tereza de exercer influências para a liberação de verba e de participar do desvio dos
recursos. O BNDES realizou auditoria interna, explicou Èlvio,
que constatou regularidade nos procedimentos para a aprovação
dos empréstimos feitos à prefeitura de Praia
Grande e às Lojas Marisa.
O
relator do Conselho de Ética, deputado Paulo Piaui (PMDB-MG),
perguntou ao diretor do BNDES sobre recursos não
reembolsáveis que foram repassados em 2001 para a Organização
Não-Governamental (ONG) "Meu Guri", dirigida por
Elza Pereira da Silva, mullher de Paulinho da Força Sindical. O
diretor respondeu que o banco faz repasses de caráter social
para entidades semelhantes, a fundo perdido. E negou
influências de Paulo Pereira da Silva nos empréstimos. Além disso, afirmou jamais ter tido qualquer contato com o parlamentar. O
relator afirma que, "apesar de parecer mais evidente que o desvio
de recursos tenha acontecido na ponta, como sugere o diretor, não
se pode descartar num país como o Brasil a possibilidade de
corrupção mesmo numa instituição bem
estruturada como o BNDES". Por isso, o presidente da instituição
vai ser convidado a depor no conselho, depois das eleições,
uma vez que não está havendo presença suficiente de
parlamentares, nesse período pré-eleitoral, para as reuniões. O prefeito de Praia Grande, que também
foi convidado, só poderá comparecer depois das eleições. O relator afirmou que o Conselho de Ética vai
analisar se ouve quebra de decorro parlamentar por parte de Paulinho,
"e tem que fazê-lo sem corporativismo, apesar de se
tratar de um colega, porque o Congresso Nacional anda muito mal visto
no resto do país".
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